Presentes de Natal. Toda a gente tem pelo menos um de que se lembre particularmente. Ou porque era algo muito desejado durante o ano, ou porque foi uma grande surpresa. O momento de desembrulhar os presentes é um dos mais fascinantes para as crianças — mas os adultos também têm direito à excitação dos mimos natalícios. Pedimos a cinco figuras públicas para nos falarem desse presente especial. Há aqueles que se recordam perfeitamente, mas também há quem se confesse anti-Natal.

Mia Rose (cantora)

“Lembro-me de um Natal no Estoril em que recebi a minha primeira guitarra. Era uma guitarra pequena de nylon mas adorei que os meus pais tivessem percebido o quanto eu queria aprender a tocar, e como a música era importante para mim. Foi como se os meus pais tivessem percebido que era esse a minha vocação e que a música iria fazer parte da minha vida para sempre! Ainda a tenho em casa! “

Paulo de Carvalho (cantor)

“A idade: 6 anos. O presente: uma bola encarnada e azul de borracha, adquirida pela minha avó contra a entrega de doze escudos e cinquenta centavos mais cinco caixas de farinha Amparo. Tive brinquedos mais “giros”, claro que sim. Mas uma bola… Já não a tenho, perdeu-se algures nas traseiras da rua 1 do Alvalade.”

Inês Rodrigues (Vice Campeã Mundial de Kitesurf 2012)

“O presente de Natal que mais me marcou até agora foi logo quando comecei a fazer kite. Devia ter uns 13 ou 14 anos, tinha uma viagem marcada para o dia a seguir ao Natal para fazer kite num destino perfeito. Já isso era uma grande prenda… e o meu pai ofereceu-me todo o material novo e mais atual! Fiquei super contente, nem conseguia acreditar que era verdade :)”

Isabel Moreira (Deputada do PS)

“Eu não me lembro de nenhuma prenda que me tenha marcado porque o Natal não me marca. Para mim o Natal é uma época triste. É uma época em que tudo aquilo que nos aconteceu de mais doloroso, como as perdas ao longo da nossa vida, reaparece de uma forma muito forte. Os mortos parece que desatam aos gritos.”

Carlos Mendes (cantor)

“Batiam as 12 badaladas no relógio de parede que havia na cozinha. Começava a loucura, embrulho para aqui, embrulho para ali… Até que é chegada a minha vez. O meu coração batia, sentia-o saltar pela boca. Seria a prenda que eu tanto desejava? Seria aquela que eu pedi por carta ao Pai Natal? Abri-a muito devagar. Lá estavam! Os patins com botas como tinham os jogadores profissionais. Finalmente podia mostrar no Colégio aquilo porque tanto ambicionei – uns patins profissionais. A partir daquele momento só haveria de ter vitórias, pensava eu inocentemente. Já não os tenho comigo, nem sei ao certo por onde ficaram, talvez no vestiário do Colégio ou nalguma arrecadação. Lembro-me como se fosse hoje do brilho dos meus patins no Natal de 1958, tinha apenas 11 anos.”