O fadista Tristão da Silva Júnior, de 67 anos, com mais de 55 de carreira artística, vai ser homenageado esta quarta-feira no Chapitô, em Lisboa, no âmbito do espetáculo “Descansem em paz (mortos, pesam mais)”.

De acordo com o Chapitô trata-se de um “espetáculo de café-concerto” da autoria de Flávio Gil e Paulo César, que fazem parte do elenco, ao lado de Milou Amaral. “Uma sátira de humor negro onde a brincar se tratam coisas sérias e, como sempre, se homenageará uma figura do mundo do espetáculo”, afirma a associação da Costa do Castelo, em Lisboa.

Em declarações à Lusa, Tristão da Silva Jr. afirmou que esta homenagem, “organizada por um grupo de amigos, foi uma agradável surpresa”. Referindo que está “praticamente retirado”, o artista afirmou que aceitou este convite numa altura em que ainda canta bem. “Quis fazê-lo numa altura em que continuo a cantar bem, para que o público que, durante mais de 55 anos me tem ouvido e aplaudido, fique com uma imagem favorável a meu respeito”, afirmou. “São já muitos anos de vida artística, com tudo o que isso implica: noites perdidas, dias longe da família, etc.”, acrescentou.

Para o futuro, o fadista afirmou não ter planos, e referiu que ainda recentemente recusou duas atuações, uma no Luxemburgo e outra em Benguela, no sul de Angola. Tristão da Silva Júnior, filho do fadista e cançonetista Tristão da Silva (1927-1978), iniciou-se no fado ainda menino e, aos 10 anos, estreou-se na televisão, protagonizando as tardes infantis. O ano de 1964 é apontado pelo artista como o início oficial da carreira, com a gravação do primeiro disco, para a etiqueta Alvorada.

Ao longo da carreira gravou “mais de duas dezenas de discos e atuou em inúmeras casas de fado e casinos, de Portugal, tendo também pisado palcos famosos em Espanha, França, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Brasil e Angola”, disse à Lusa fonte do Chapitô. Segundo a mesma fonte, o fadista português partilhou palcos com Charles Aznavour, Gilbert Bécaud, Roberto Carlos, Julie Andrews e Louis Armstrong, entre outros. Devido a um acidente de viação, interrompeu a atividade artística, mas, em 1999, regressou aos palcos. Em 2004 gravou o álbum “Lisboa Tejo e Céu”.