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Cerca de um em cada 10 portugueses sofre de doença renal crônica, ou seja, aproximadamente um milhão de portugueses têm algum grau de insuficiência renal. Com o objetivo de distinguir as iniciativas mais inovadoras nas unidades locais de saúde, foi criado o Kidney Care Award. Vamos saber tudo sobre este prêmio nos próximos minutos com Vanessa Jacinto, Head of Market Access and Public Affairs da farmacêutica Boehringer Ingelheim, promotora da iniciativa. Viva, Vanessa, bem-vinda.
Muito obrigada pelo convite.
Vanessa, por que a criação deste prêmio, o Kidney Care Award?
Por quê? Porque a doença renal crônica é um importante problema de saúde pública, não só pelo número de pessoas que afeta, mas também pelas consequências que pode ter, nomeadamente no impacto na qualidade de vida das pessoas que sofrem de doença renal crônica. Criamos este Kidney Care Award com o objetivo de reconhecer o trabalho que já é feito nos cuidados de saúde, por diferentes especialidades, diferentes equipas e, portanto, queremos apoiar boas ideias que possam melhorar a prevenção, o diagnóstico, o acompanhamento destas pessoas. Mais do que distinguir projetos, o que nós pretendemos com o Kidney Care Award é precisamente ajudar as equipas a transformar soluções com potencial, em melhorias concretas dos cuidados de saúde.
Que projetos ou que características dos projetos procuram reconhecer com este prêmio, Vanessa?
Nós essencialmente procuramos reconhecer propostas que respondam a necessidades que existam neste contexto, em cada unidade de saúde. Podem ser na prevenção, na detecção mais precoce, no acompanhamento da doença, na literacia, no autocuidado, no acesso, na qualidade do serviço ou até mesmo na parte da eficiência organizacional. E nós não estamos à procura de grandes inovações. A inovação até pode ser uma solução muito simples, e o que nós queremos é potenciar essas soluções simples que gerem valor, e até grande valor ou em valor mais imediato.
Muito bem, vamos olhar então pra mecânica de iniciativa. Quem pode concorrer?
Toda gente que trabalha com a doença renal crônica, essencialmente. Pedimos que sejam equipas constituídas por quatro a seis elementos. Podem ser médicos, podem ser enfermeiros, farmacêuticos, outros profissionais de saúde, pessoas que trabalham na área da qualidade, na área da gestão. Essencialmente, também pedimos que sejam equipas multidisciplinares. E o importante é conhecer bem o problema, o problema da doença renal crônica, e estarem dispostos, com este objetivo comum, a trabalharem numa solução inovadora.
Inovadora. Quando é que são anunciados os vencedores e quais são os prêmios?
Muito bem, o grande valor deste prêmio é o acompanhamento às equipas. Nós temos as candidaturas abertas, depois vamos ter o júri que irá selecionar as 10 melhores soluções de acordo com os critérios que foram definidos, e essas 10 equipas terão uma mentoria de quatro meses. Uma mentoria muito baseada na metodologia Lean, do House of Lean, que basicamente acaba por ajudar a identificar desperdícios, as suas causas, como é que se pode melhorar o processo e implementar soluções e depois, obviamente, monitorizar também os resultados, porque é superimportante depois conseguir medir os ganhos que se estão a obter com determinado tipo de soluções. Depois, no final, e num evento que irá ocorrer no próximo ano, em 2027, o júri vai novamente selecionar aqueles que são os três projetos que acham que, de alguma forma, se destacaram dos outros ou que até possam ser mais facilmente replicados para outras unidades de saúde. E teremos mais mentoria a essas três iniciativas. O calendário, todos os detalhes estão na página da iniciativa kidneycareaward.com.
Muito bem. No final, a ideia é ter projetos criados para implementar nas ULS, ou seja, nas Unidades Locais de Saúde, Vanessa Jacinto?
Sim. Queremos que as equipas passem de uma necessidade que foi identificada, de uma ideia, ou de algo que até já está implementado, mas que precisa de uma otimização e com os objetivos e os indicadores muito claros, através da melhoria, poder ou otimizar aquilo que já estava implementado, ou implementar a ideia e depois, eventualmente, até ser adaptada e utilizada noutros contextos.
Muito bem. Estamos a falar de um prêmio, o Kidney Care Award, que surge no âmbito da doença renal. É um problema de saúde pública em Portugal, Vanessa?
Sem dúvida. Estima-se que cerca de 10% da população portuguesa tenha doença renal crônica, muitas vezes sem saber, porque trata-se de uma doença silenciosa. Nós até costumamos dizer que o rim não dói, e não dói, efetivamente. E portanto, muitas vezes quando é diagnosticado, já é numa fase tardia e já com consequências muito gravosas para a qualidade de vida da pessoa. Aqui o desafio é diagnosticá-la cedo, melhorar a articulação dos cuidados para o doente não ficar perdido no sistema e garantir também uma integração dos cuidados primários com os cuidados hospitalares. E queremos investir na prevenção, na literacia e nos percursos dos doentes e acreditamos que iniciativas como esta possam, no futuro, melhorar a qualidade de vida dos doentes.
Os Kidney Care Award. Vanessa Jacinto, muito obrigado.
Obrigada.
Agradeço. A fechar esta nossa conversa e para os interessados, recordo novamente a página web com todas as informações sobre este prêmio, www.kidneycareaward.com. Até à próxima.
Obrigada.