Reza a história que havia uma senhora que se sentava à porta da sua loja de ervas secas a fazer bonecas de trapos. A loja da D. Carlota estava perto de um mercado e era frequentemente visitada por crianças que a observavam com atenção. Contavam-se histórias e consertavam-se braços e pernas para dar uma nova vida às bonecas que ali iam parar. Assim, nascia em Lisboa, em 1830, o Hospital de Bonecas.
“Isto é uma coisa de família. Era de uns amigos dos meus avós e depois passou para nós. Primeiro para a minha mãe e depois para mim. Nós só viemos para aqui quando já temos a nossa vida profissional feita para depois nos dedicarmos às bonecas” conta, entre sorrisos, Manuela Cutileiro, diretora do hospital.
Existem bonecas por toda a parte nas várias salas do hospital. Umas estão cuidadosamente arrumadas, numeradas e etiquetadas em prateleiras à espera de tratamento. Outras, estão já em fase de recuperação nas “enfermarias” viradas para a Praça da Figueira.
À semelhança de um verdadeiro hospital, ali também se tratam braços e pernas partidas. Mas, refere Manuela, “os estragos mais frequentes para reparação são os olhos. Para os miúdos é a maior tentação”. Apesar de a generalidade dos trabalhos ser simples de executar, “há bonecas que nem sabemos como lhes mexer. Às vezes não há peças e temos de inventar” brinca a D. Ermelinda, uma das enfermeiras de serviço.