Os mais velhos e a malta da bola gosta de dizer, com ginga e algum desdém, que “no futebol está tudo inventado”. Mentira, senhoras e senhores. E Fabrício, um defesa do Internacional de Porto Alegre, veio demonstrar que essa história não é bem assim. Então não é que este homem foi expulso porque se armou em Mr. Bean contra os próprios adeptos?
Vamos por partes. Fabrício é um lateral de 28 anos do Inter, um clube que não é brincadeira nenhuma: 41 campeonatos estaduais, três canecos do Brasileirão, duas Copas Libertadores e um Campeonato do Mundo de Clubes, entre muitos outros (são mais de 50 troféus no museu).
https://www.youtube.com/watch?v=vHADVyAtE-Q
Tudo aconteceu na quarta-feira aos 17 minutos da segunda parte do duelo entre Inter e Ypiranga-RS. Fabrício levava a bola e tinha por perto o capitão, o craque argentino de outros tempos, D’Alessandro. Ao ser vaiado pelo público, esqueceu a bola e disse umas coisas aos adeptos. Para piorar, esticou os braços, com os dedos do meio das mãos bem levantados, quais arranha-céus a desafiar a paixão dos adeptos. “Ôpa Fabrício! Nããão, aí ele inviabiliza o negócio…”, desabafava o locutor, com uma destreza espetacular na arte do eufemismo. A espiral surreal e recessiva, aquela que fazia adivinhar o final da carreira do atleta no Inter, continuou: o árbitro aproximou-se e mostrou-lhe o cartão vermelho. A torcida festejou como se de um golo se tratasse. Foi maravilhoso (perdoem-nos a aventura na adjetivação)…
Fabrício, completamente de cabeça perdida, tirou a camisola, atirou-a para o chão, empurrou companheiros que o tentavam acalmar e evitar o fim da carreira em Porto Alegre, mas nada. Aquele senhor estava empenhado em cavar um buraco bem fundo. E continuou quando se aproximava do túnel de acesso aos balneários, altura em que convidou os adeptos a fazerem algo pouco digno.
Agora, as consequências. “Foi uma atitude lamentável, vamos analisar com muito cuidado. O nosso departamento jurídico vai nos dizer o que é possível fazer”, admitiu Vitorio Piffero, o presidente do Internacional, conta a Folha de São Paulo. “Ninguém é insubstituível e o Fabrício feriu muita gente com o que fez. Faltou com respeito ao clube.” O lateral está suspenso até segunda-feira.
Embora a rescisão esteja em cima da mesa segundo a Folha, há esperança para Fabrício, a julgar pelas palavras do presidente: “Conheço o Fabrício há tempos, sei que foi de sangue quente, sei que tem dificuldades pessoais, mas eu não vou tomar uma atitude de sangue quente sem saber o que pode ser feito. Na segunda-feira eu vou resolver pessoalmente este caso.”
As redes sociais, como é hábito, foram implacáveis. No tom da crítica, na defesa, pois há quem escreva que Fabrício foi vítima de racismo, mas também pelo humor de alto gabarito. Aqui ficam quatro exemplos:
https://twitter.com/PaixaoGremio/status/583814513398575104
Fabrício ontem pic.twitter.com/RLW4nz5Wo4
— desimpedidos (@desimpedidos) April 2, 2015
fabrício is indigned pic.twitter.com/xBeHpVq9TM
— SÃO PAULO MIL GRAU (@SaoPauloMiIGrau) April 2, 2015
Depois de fazer o primeiro gol do Novo Beira-Rio, Fabrício recebe homenagem por mais um feito histórico. pic.twitter.com/CsLqmczGGH
— Lucas von (@lucasvon) April 2, 2015