A Ordem dos Médicos (OM) alertou esta sexta-feira para a falta de ortopedistas no hospital da cidade, que já levou à perda da sua idoneidade formativa nesta especialidade, e exigiu o reforço do serviço.
Em comunicado, a Sub-região de Évora da OM indicou que o Serviço de Ortopedia do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE), integrado na Unidade Local de Saúde do Alentejo Central (ULSAC), possui “apenas dois médicos”.
Com este número de clínicos, “o serviço enfrenta uma insuficiência de recursos humanos manifestamente desadequada às necessidades assistenciais da população do Alentejo Central”, advertiu.
Aludindo à natureza da especialidade, a mesma estrutura da OM realçou que, “além da atividade programada, a Ortopedia assegura uma resposta essencial a situações de urgência e trauma, incluindo fraturas e lesões que exigem avaliação e tratamento atempados”.
“Embora a resposta às urgências se mantenha assegurada, a sua dependência do recurso a médicos tarefeiros evidencia a fragilidade estrutural do serviço“, salientou, defendendo outro sistema de funcionamento para aquele serviço.
Para a OM, “o modelo desejável deverá assentar numa equipa própria, estável e dimensionada de acordo com as necessidades da população, capaz de assegurar a maioria das escalas de urgência com recurso aos médicos do quadro hospitalar, recorrendo a profissionais externos de forma complementar”.
“O declínio do serviço culminou, este ano, na perda da sua idoneidade formativa”, o que representa “mais do que uma dificuldade” na formação de novos especialistas, observou.
E também “compromete a capacidade de atrair e fixar médicos na região e ameaça perpetuar um ciclo de fragilidade assistencial”, referiu, avisando que “sem condições para formar, torna-se ainda mais difícil garantir a renovação das equipas“.
Esta secção da Ordem dos Médicos assinalou que o Alentejo Central é “marcado por grandes distâncias, dispersão populacional e flutuações sazonais associadas à atividade turística” e lembrou que Évora vai ser Capital Europeia da Cultura em 2027.
“É expectável um aumento da afluência de visitantes, colocando exigências acrescidas sobre os serviços públicos e, em particular, sobre os cuidados de saúde. O planeamento da resposta assistencial não pode ignorar esta circunstância”, sublinhou.
No comunicado, a Sub-região de Évora da OM considerou urgente que a administração da ULSAC e a tutela definam “uma resposta concreta para reforçar o Serviço de Ortopedia” do HESE.
Essa resposta, apontou, deve igualmente “consolidar a estabilidade das equipas, assegurar uma organização sustentável das escalas de urgência e restabelecer as condições necessárias à formação médica“.
“Esta intervenção deve integrar uma estratégia de recursos humanos de médio e longo prazo, capaz de garantir a continuidade e a qualidade dos cuidados na região”, acautelou.
A OM disse ainda que a construção do novo hospital na cidade, atualmente em curso, “deve representar uma oportunidade para reforçar os cuidados de saúde na região e não apenas para renovar as suas instalações”.
“É essencial que, quando abrir portas, existam também os profissionais necessários para cumprir a sua missão”, acrescentou.