Se é apreciador de bandas de grande dimensão, capazes de debitar torrentes de notas provenientes de instrumentos com diferentes timbres, o “Jazz em agosto 2015” tem um programa ajustado às suas preferências. Entre os oito espetáculos que integram o programa da 32ª edição da iniciativa, que tem a assinatura da Fundação Calouste Gulbenkian, está prevista a apresentação de três orquestras. E a agenda também promete variedade de estilos, com muita fusão entre vanguardismo, rock, hip hop ou eletrónica, naquilo que se antecipa irá ser um desfile de música heterogénea e sem fronteiras.

O tom da aposta será dado logo a 31 de julho, com o concerto de abertura a ser assegurado pela Fire! Orchestra. Trata-se de um projeto que teve origem no trio do saxofonista sueco Matts Gustafsson, aumentado, agora, para um formato bastante mais alargado, integrado por 19 músicos. Os sopros dominam esta orquestra, mas os instrumentos elétricos, como a guitarra e o baixo, também marcarão uma presença forte.

31 Jul_Fire! Orchestra©Micke Keysendal

A Fire! Orchestra de Matts Gustafsson

O dia seguinte voltará a ser preenchido com um concerto de uma banda de grande dimensão, a maior, aliás, de todo o programa. O projeto é liderado pelo trompetista austríaco Michael Mantler e consistirá numa parceria entre a sua Jazz Composer’s Update e a Orquestra de Jazz de Matosinhos, que resultará na presença de 22 músicos em palco, incluindo saxofones e trompetes em quantidades generosas, que fazem adivinhar uma muralha de som apreciável.

Uma banda de grande formato encerrará, também, a edição do “Jazz em agosto 2015”, com a apresentação da Orchestre National de Jazz, liderada pelo guitarrista Olivier Benoît. Na atuação destes músicos, está prevista a apresentação de mais uma peça na série de temas que Benoît está a dedicar às grandes cidades europeias. Depois de Paris, a fonte de inspiração anunciada é Berlim que terá apresentação agendada para esta prestação que decorrerá a 9 de agosto.

Red Trio, que atuará com John Butcher

Além das grandes bandas, a iniciativa da Gulbenkian terá outros pontos de atração. Mats Gustafsson apresentar-se-á, também, com o seu quinteto e o Red Trio, com os músicos portugueses Rodrigo Pinheiro (piano), Hernâni Faustino (contrabaixo) e Gabriel Ferrandini (bateria), poderá ser escutado com a soma de um elemento, o saxofonista tenor John Butcher. A 6 de agosto, o confronto entre os pianos de Alexander von Schlippenbach e de Ali Takase, acompanhados pelo gira-discos do DJ illvibe, são uma das propostas mais inesperadas. Numa parceria entre músicos dos Estados Unidos e da Noruega, também subirá ao palco, a 7 de agosto, o Ingebrigt Haker-Flaten’s The Young Mothers, sexteto liderado pelo contrabaixista nórdico que garante fusão e surpresa.

O programa tem um ponto alto e incontornável com a presença de dois veteranos, responsáveis por muita da inovação e da abertura de novos caminhos na música improvisada durante as últimas décadas. O trompetista Wadada Leo Smith vai apresentar-se na companhia do saxofonista e flautista Henry Threadgill, a que se juntarão o contrabaixo de John Lindberg e a bateria de Marcus Gilmore. Objetivo? Interpretar The Great Lakes Suites, álbum de 2014 de que pode escutar um dos temas, Lake Superior, aqui:

https://youtu.be/rEvR_xyTnDU