Em 2014, esgotou concertos em Portugal. Este ano também já passou por Espinho e Famalicão. Porque haveríamos de querer ver outra vez Wim Mertens? Em primeiro lugar, porque os concertos que vai dar no dia 1 de junho na Casa da Música, no Porto, e no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, vão ser totalmente diferentes. Em segundo lugar, porque, aos 62 nos, o pianista e compositor belga continua a inovar.

A produtividade de Wim Mertens faz corar qualquer um. Desde 1980 lançou cerca de 70 discos, entre os quais When Tool Met Wood, para a Guimarães Capital Europeia da Cultura, acompanhado pela Fundação Orquestra Estúdio, dirigida por Rui Massena. Este mês lançou mais um, Charaktersketch, e é por aí que vai começar os espetáculos ao vivo, onde estará acompanhado pelo saxofonista Dirk Descheemaeker.

O álbum “é uma tentativa de desenhar um esboço do caráter da Europa após a crise financeira de 2007 – 2008”, disse ao Observador, por e-mail.  “É verdade que a Europa está a passar por dificuldades, que os ventos económicos estão a mudar para Leste, e que culturalmente o continente está sob pressão? Como é que podemos, também musicalmente, reagir a esta nova situação?”, acrescentou.

Wim Mertens estudou Ciências Sociais e Políticas na Universidade de Leuven e depois musicologia e piano na Universidade de Gent, ambas na Bélgica. O disco é uma junção dos dois temas que sempre o interessaram. Inspirando-se na crise europeia, será este um álbum pessimista? “Não, de todo. Pelo contrário”, respondeu. “No meu campo musical próprio, apresento muitas alternativas para responder à presente situação da Europa. Até porque a música tem de ser tocada múltiplas vezes. Então, a cada momento temos outra oportunidade. Só precisamos de trabalhar de uma forma musical diferente. O que é preciso é um novo método de compor e atuar”.

A segunda parte do concerto será um regresso ao passado, mais concretamente o período entre 1980 e 1985. Não só porque irá interpretar alguns temas que marcaram a sua carreira, como irá voltar ao piano elétrico, instrumento que lhe marcou o início do percurso. “Naquela época tocava sempre no piano elétrico. Vamos apresentar composições como “Salernes”, “Gentleman of Leisure” e “At home”, que nunca foram tocadas em Portugal”, explicou. Mais um motivo para ir ver Wim Mertens ao vivo. Os bilhetes custam 30 euros para o Porto e entre 20 e 40 euros para Lisboa.

Até ao final do ano, Wim Mertens vai lançar mais um disco, Voice of the Living, comissariado pelo governo belga sobre as comemorações da Primeira Guerra Mundial. Mas não adianta uma data certa. “Prefiro surpreender quem me segue. Mesmo durante os concertos que vou dar em Portugal durante a próxima semana”, disse.

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