Uma oferta surpresa. O empresário checo Michal Strnad, ligado à indústria de armamento, fez uma oferta de 30 mil milhões de euros para comprar a Delfin, veículo de investimento da família italiana Del Vecchio, e principal acionista da gigante EssilorLuxottica, dona de várias marcas como a Ray-Ban.
A família Del Vecchio tem estado numa guerra interna pelo controlo da companhia, desde que o fundador Leonardo morreu em 2022, tendo culminado este verão com a saída de um dos herdeiros que estava na administração. Leonardo Maria Del Vecchio, filho do fundador da empresa, quis comprar a participação dos irmãos e foi voz crítica da gestão da empresa.
Agora, o milionário checo Michal Strnad anunciou uma oferta de 30 mil milhões de euros para adquirir a Delfin, segundo a Reuters, indicando ter consultado duas fontes anónimas, depois de o jornal Il Domani ter noticiado a oferta.
O jornal italiano cita uma carta datada de 20 de outubro explicando a oferta de Strnad. “Ando à procura de oportunidades de investimentos de longo prazo em companhias que tenham negócios bem posicionados na cadeia de valor”, considerando que a Delfin “encaixa na perfeição na minha estratégia de investimento”. A Delfin tem participações avaliadas em 40 mil milhões de euros, considerando uma posição de um terço na EssilorLuxottica, na seguradora Generali e nos bancos UniCredit e Monte dei Paschi di Siena.
A oferta, segundo a Bloomberg, é pela totalidade da Delfin, mas o empresário estará disponível para ficar com uma posição maioritária de 62,5%. É válida por 30 dias e implicaria que cada um dos oito acionistas herdeiros (sete são filhos do fundador, seis dos quais com Nicoletta Zampillo, que também é acionista, cada um com 12,5%) concordasse em alterar os limites às mudanças de participações que estão definidos. Segundo a Bloomberg, tal parece difícil uma vez que pelo menos Leonardo Maria já veio mostrar oposição. “O trabalho de uma vida do meu pai deve continuar a ser um património de Itália”.
Michal Strnad, de 34 anos, é o principal acionista e presidente executivo do Czechoslovak Group (CSG), uma holding industrial de produção de armamento e veículos militares, mas que também tem a PRIM, que produz relógios. Em 2026 colocou a empresa em bolsa, sendo cotada no Euronext Amesterdão, operação que permitiu levantar 4,5 mil milhões de euros. Herdou a empresa, fundada em 1995, do pai em 2018. A Forbes avalia a sua fortuna em 13,7 mil milhões de dólares. No início deste ano, o empresário checo comprou uma posição de 14% na construtora italiana de pneus Pirelli à chinesa Sinochem.