Poesia, letras e músicas são o software. A par dos instrumentos musicais, as cordas vocais são o hardware. A comparação brinca com o nome da artista que tinha sempre vergonha da própria voz. Jessie Ware não tinha nenhuma intenção de fazer carreira na música. Depois de tirar um curso de Literatura Inglesa na Universidade de Sussex decidiu licenciar-se em Direito, mas adiou os estudos para tentar a sua sorte e ir atrás do sonho.

Começou por cantar nos espetáculos do cantor e compositor Jack Penãte depois de passar o dia a trabalhar numa loja da conhecida cadeia Selfridges, em Londres. Ao fim de um ano tinha conseguido um contrato para gravar aquele que veio a ser o disco de estreia. O álbum “Devotion” saiu no verão de 2012 e teve logo direito a nomeação para um prémio Mercury. A partir daí a carreira da artista nunca mais parou de surpreender. Inicialmente na Europa, depois nos Estados Unidos da América, a crítica rendeu-se ao charme da voz soul R&B de Jessie, valendo-lhe inevitáveis comparações com Sade ou Erykah Badu.

A cantora regressa ao Passeio Marítimo de Algés a 9 de julho (participou na edição de 2013) para atuar na primeira noite do festival, num espetáculo de promoção do segundo álbum “Tough Love”. Foi gravado em apenas 15 dias num intervalo entre espectáculos. São onze canções originais onde encontramos pérolas como “Share it all”, ou o tema escrito com o californiano Miguel “Kind of… sometimes… maybe”. E ainda a balada que junta Jessie a Ed Sheeran, “Say You Love Me”. É um registo pessoal, uma coleção de fantasias e reflexões em que se contam histórias de vida. Jessie esteve nomeada para os Brit Awards 2015 na categoria de Melhor Artista Feminina a Solo. Aos 30 anos ela integra uma vaga de cantoras britânicas onde figuram Adele e Florence Welch (suas amigas), Ellie Goulding, Emeli Sande e Jessie J.

Uma das características mais notáveis da voz de Jessie Ware é a textura aveludada que se sente no atual single “Champagne Kisses”:

Jessie casou no verão passado com o seu amigo de infância e personal trainer Sam Burrows. Ao fim de dez anos de namoro a cerimónia teve lugar na ilha grega de Skopelos, onde Sam tinha feito o pedido alguns meses antes. Conheceram-se na escola primária e voltaram a encontrar-se por acaso numa festa particular em casa de amigos. Os convites tinham uma foto dos dois com 11 anos, na equipa de natação da escola.

A cantora nasceu e cresceu em Londres. Os pais deram-lhe o nome de Jessica Lois Ware. O casal divorciou-se quando ela tinha apenas 10 anos ficando a mãe, de ascendência judaica, com os três filhos. Jessie tem um irmão e uma irmã, Hannah Ware, modelo e atriz em Inglaterra que entretanto se instalou na Califórnia à procura de um lugar ao sol nas artes da representação.

Passou pelo jornalismo como repórter num jornal judaico e também no Daily Mail. Foi como assistente numa produtora de televisão que conheceu outra figura essencial no seu destino. Era uma executiva de produção com mais de 40 anos que passava o dia a escrever. Chama-se Erika Mitchell Leonard, mais conhecida como E.L. James, a autora da trilogia de Mr. Grey. Mais do que natural, portanto, a inclusão de “Meet Me in the Middle” na banda sonora de “As 50 Sombras de Grey” que em muito contribuiu para a notoriedade de Jessie Ware.

A cantora de 30 anos que cresceu a ouvir Lauryn Hill reconhece na música que faz as influências de Whitney Houston, de Sade Adu e até mesmo de Chaka Khan. Apesar de esgotar espetáculos nas digressões britânica e norte-americana, Jessie ainda está a habituar-se à ideia de ser famosa e reconhecida nas ruas. Diz nas entrevistas que as atuações ao vivo são a derradeira prova do envolvimento do público. Em particular no momento em que dezenas ou milhares de pessoas cantam as letras das suas canções em uníssono. São momentos preciosos e mágicos para Jessie Ware, que desta vez espera ainda mais fãs para cantar com ela na noite de 9 de julho no palco Heineken do NOS Alive 2015.

jessieware.com / NOS Alive