A Casa da Música, no Porto, vai receber no domingo um concerto de homenagem ao compositor Bernardo Sassetti que se realiza anualmente e se estreia a Norte, cuja receita reverte a favor da associação com o seu nome.

“Todos os anos por volta mais ou menos do dia de aniversário do Bernardo [a 24 de junho] fazemos um espetáculo. É uma das iniciativas da Casa Bernardo Sassetti promover anualmente um espetáculo de dimensões apreciáveis e temo-lo feito até agora apenas em Lisboa, mas acho que era importante começarmos a descentralizar”, afirmou à Lusa o membro da direção da Casa Bernardo Sassetti Pedro Sassetti Paes.

O pianista João Paulo Esteves da Silva explicou, por seu lado, que vai “tocar temas do Bernardo onde haverá um misto de respeito pelo texto e de improvisação”, participando ainda na única peça que Bernardo Sassetti compôs para orquestra, a “Pescaria”, que vai ser interpretada com a Orquestra Jazz de Matosinhos (OJM).

Questionado sobre a forma como a interação com os temas criados por Bernardo Sassetti mudou após a morte do músico em 2012, João Paulo Esteves da Silva disse que “a relação com as músicas não muda nada”, mas há algo que é diferente: “o que muda é que infelizmente não posso ter a opinião dele sobre a minha performance. Tudo isso fica dentro da suposição. São perguntas que ficam sem resposta”.

Durante a primeira parte do concerto vão ser interpretados temas dos álbuns “Motion”, “Ascent” e “Indigo”, enquanto, de seguida, Filipe Melo, Daniel Bernardes, Iuri Gaspar e Carlos Azevedo vão atuar com a OJM.

Pedro Sassetti Paes disse que as reações dos públicos aos espetáculos, que têm vindo a acontecer desde 2012 com “Fragmento. Movimento. Ascensão”, “têm sido muito positivas”.

“É difícil nestes espetáculos separar de onde é que vem a emoção, há emoções muito fortes que vêm do facto de ele ter desaparecido, mas que também vêm diretamente da música dele e as pessoas reagem muito bem. A música do Bernardo é aquele tipo de música que tem os ingredientes para construir um público alargado, não sei explicar porquê”, disse João Paulo Esteves da Silva.