Mais de cem anos depois do aparecimento do primeiro carro comercial a gasolina, há carros de modelos irreverentes, sistemas e aplicações sofisticados, designs aerodinâmicos e uma panóplia de gadgets à mão de semear dos utilizadores dos automóveis. Mas para onde caminham os automóveis de hoje? O Politico foi em busca dos planos mais futuristas que podem chegar às estradas (ou até mesmo ao céu) nos próximos tempos. E aqui estão eles:

NASA, Comissão Europeia e Eslováquia

Os desenhos animados e os filmes de ficção científica estão apinhados deles, mas passar dos monitores para a realidade parece uma missão quase impossível. Quase, porque a NASA tem falado sobre “veículos aéreos personalizados (VAP)” desde há dez anos. À semelhança do que aconteceu quando Kennedy anunciou a ida à Lua, a indústria americana moveu-se no sentido de os tornar uma realidade e essa tem sido uma aposta das últimas empresas no setor.

A Europa não fugiu à tendência e prova disso está no Instituto Max Planck: esta entidade abriga um estudo da Comissão Europeia sobre a viabilidade dos VAP na atenuação do trânsito – e consequente perda de tempo – nas estradas. Ao veículo em casa chamaram myCopter. Mas isso traz algumas exigências ao utilizador, entre as quais levantar voo e aterrar em segurança e de acordo com as regras impostas.

Se este parece um processo moroso, a Eslováquia parece estar um passo à frente do resto do mundo: a empresa AeroMobil diz que os seus produtos vão ser estar no mercado em dois anos, três após terem mostrado o primeiro protótipo ao mundo.

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AeroMobil é um projeto eslovaco que pode tornar os carros voadores numa realidade. Imagem: AeroMobil

Podcar City: uma cidade sem rodas

Acabar com o trânsito citadino parece ser a prioridade na hora de repensar os veículos que se utilizam no transporte diário. Consegue imaginar os quilómetros de estradas existentes no planeta sem um único pneu a circular neles? Não é uma utopia (basta olhar para o exemplo acima), mas as alternativas podem não passar pela construção de carros alados: o futuro pode estar em pontes e estradas aéreas, caminhos e vias suspensas no ar que libertem espaço em terra.

A Índia pôs-se à frente destes projetos, com a projeção de um “sistema de trânsito personalizado” que pudesse ligar Nova Deli a Manesar. Também os Emirados Árabes Unidos colocaram mãos à obra e a cidade projetada de Masdar faz parte dos planos, embora a alto custo. Na Europa, o Reino Unido leva a melhor: há três cidades pioneiras na projeção destas “estradas”, todas elas com o apoio do governo, que pretende tornar o país no “destino de escolha para os fabricantes”.

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Estes carros podem circular em Masdar, a cidade em construção dos Emirados Árabes Unidos. Imagem: Wikimedia Commons

Super-comboios: o TGV é coisa do passado

Se os 320 km/h de um comboio de alta velocidade não forem suficientes para si, os Estados Unidos encontraram uma solução: o Acela Express viaja 418 km/h em determinados momentos e circula no nordeste americano. Mas o futuro parece ainda mais promissor nos territórios japoneses e chineses.

Em Xangai, o “maglev” é um comboio de levitação magnética que alcança velocidades de 431 km/h, embora não se compare aos 602 km/h a que os comboios japoneses chegaram em abril. A diferença é que o “maglev” estava tripulado – tornou-se no transporte comercial mais veloz -, enquanto a alternativa japonesa não tinha ninguém no interior.

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Os “maglev” levitam graças a una energia magnética que os mantém afastados do chão. Imagem: Wikimedia Commons

Vactrain: viajar onde não existe ar

Os projetos futuristas não abandonam os comboios de levitação magnética, mas desta vez vai ser possível viajar em tubos de vácuo. É uma ideia centenária saída da imaginação de Robert Goddard, o inventor dos foguetes modernos, quando previu que era possível transportar pessoas em tubos selados onde o atrito não interferisse no movimento.

Em 2013, Elon Musk – empresário criador do PayPal, entre outras marcas – avançou com o plano e chamou-o de “hyperloop”: passa por evacuar os tubos onde o comboio viaja através de levitação magnética a velocidades que podiam chegar aos 1127 km/h. Velocidades alucinantes que ainda não foram conseguidas, mas a Suíça é o país com sistemas mais semelhantes a este: a Swissmetro quer juntar Zurique a Berna (122 quilómetros) em apenas 15 minutos.

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O conceito de “maglev” parece ser incontornável no futuro, mas este projeto suíço evita os gastos de energia provocados pelo atrito. Imagem: Swissmetro

Ninguém se esqueceu dos modestos autocarros

São eles que alimentam as empresas de transporte por todo o mundo por serem tão eficazes, garante Georges Bianco Garido, um especialista na área. A Suíça muito menos o esquece: mostrou uma novo formato de autocarro que permitia desocupar as estradas na Expo de Alta Tecnologia em Pequim, no ano 2010. Em vez de circularem na estrada, os autocarros podiam passar sobre os carros, deslizando pelas margens.

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Nesta maquete é possível perceber como poderão vir a viajar os autocarros, passando sobre os automóveis na estrada. Imagem: Associated Press

A ideia nunca passou das maquetes, por motivos de segurança levantados pelas autoridades: afinal como iriam os passageiros entrar e sair? Ainda assim, surgiu o “autocarro de trânsito rápido” na América do Sul e na Ásia: o projeto passa por construir redes e terminais que permitam aos autocarros circular em percursos próprios e com movimentos acionados automaticamente pela sinalização.