O anúncio foi feito pelo comissário europeu para a área digital, Günther Oettinger, durante o ICT 2015, o maior evento de tecnologias de informação e comunicação (TIC) da Europa: a Comissão Europeia vai destinar perto de três mil milhões de euros para investir em projetos relacionados com a economia digital em 2016 e 2017. A medida faz parte do Horizonte 2020.

Cerca de 40% deste valor vai servir para investir em parcerias público-privadas para o desenvolvimento da rede 5G, de big data (grande armazenamento e análise de dados), microeletrónica, computação de elevada performance e tecnologias industriais. O comissário espera que pelo menos 20% dos 3 mil milhões tenha como destino startups e pequenas e médias empresas (PME).

“Incito-vos a todos a mobilizarem-se e a desenvolverem consórcios assentes em liderança tecnológica e no potencial da inovação”, afirmou o comissário.

Oettinger acrescentou que a Europa está a viver uma startup scene (ecossistema de empreendedorismo) “vibrante”, que gera riqueza e cria novos empregos. “Contudo, quando algumas destas startups começam a crescer, perdemo-las para os Estados Unidos, porque têm dificuldades em encontrar investimento (capital de risco)” na Europa, afirmou, defendendo que é preciso dar-lhes espaço para crescerem “e crescerem depressa”. 

Afinal, é isso que os EUA fizeram: muitas das 100 empresas de topo dos EUA não existiam há 25 anos. Se ‘start up’ [começar] é bom, ‘scale up’ [escalar o negócio] é ainda melhor”, afirmou.

A opinião do comissário Oettinger foi partilhada por António Murta, fundador da capital de risco portuguesa Pathena, e das empresas Enabler e Mobicomp – startups posteriormente adquiridas pela Wipro e pela Microsoft, respetivamente.

Na abertura do Startup Europe Forum, que decorre dentro do ICT 2015, António Murta referiu que “há um grande futuro na Europa”, mas que às vezes se “perde perspetiva”.

“Estávamos a ser colonizados por empresas norte-americanas sem que tenhamos percebido isso. Mas depois percebemos que a tecnologia pode ser uma arma massiva se a utilizarmos bem”, referiu.

O investidor defendeu um mercado de investimento pan-europeu. “A maior parte dos investidores investe nos seus países, mas precisamos de parar isso. Se não pararmos continuamos a criar unicórnios na Europa, mas o dinheiro vai para os EUA, porque são eles os investidores”, afirmou.

O Startup Europe Forum é uma iniciativa da Comissão Europeia que visa criar um ambiente “amigo das startups”, que permita aos empreendedores começarem a desenvolver os seus negócios, fazê-los crescer e escalá-los na Europa e no mundo.