31 de outubro de 1975. Os Queen lançam em vinil “Bohemian Rhapsody”, uma música que, tendo em conta a fórmula de sucesso da pop, tinha tudo para correr mal. Com seis minutos de duração, nenhuma rádio se arriscaria a passá-la. Misturava ambientes tão diferentes quanto uma balada de piano, um momento operático e um solo de guitarra de fazer inveja a qualquer banda de hard rock. Para além de não ter refrão, a longa letra tinha palavras pouco memoráveis, como “Scaramouch” e “Bismillah”.

40 anos depois, a composição de Freddie Mercury ainda passa nas rádios um pouco por todo o mundo e dezenas de artistas já lhe prestaram homenagem com versões. Para assinalar o 40.º aniversário do lançamento de “Bohemian Rhapsody”, o Observador recorda cinco versões, das originais àquelas que os fãs gostariam que nunca tivessem existido.

Começando pelas originais, não dá para excluir “Os Marretas“, que em 2009 levaram milhões de pessoas a abrirem o YouTube para ouvirem e verem Miss Piggy a cantar, o cão Baskerville a tocar os acordes de piano, galinhas a fazerem os coros e o Proveta a contribuir com os habituais “mimimi”. O único problema é que Animal, personagem responsável por cantar parte da letra, parece não ter estudado a matéria e limita-se a repetir “Mama” até à exaustão. O vídeo já tem quase 48 milhões de visualizações:

Dos Marretas para a ópera. Montserrat Caballé, que tantas vezes partilhou o palco com Freddie Mercury, decidiu abrir o álbum Friends for Life que lançou em 1997, seis anos depois da morte do vocalista dos Queen, com uma homenagem a “Bohemian Rhapsody”. Para uma mistura improvável à imagem da música em causa, convidou para a gravação Bruce Dickinson, voz dos Iron Maiden. A mistura resultou:

Cinco meses após a morte de Freddie Mercury, Elton John e Axl Rose juntaram-se para cantarem juntos a música mais tocada do disco A Night at the Opera, de 1975. Mais uma vez, uma parceria improvável. O homenageado era bissexual, Elton John era homossexual assumido e o vocalista dos Guns N’Roses já tinha feito declarações consideradas homofóbicas. A ideia de juntá-los no concerto tributo que aconteceu a 20 de abril de 1992 foi do próprio guitarrista dos Queen, Brian May, mas foi Axl Rose quem pegou no telefone para fazer o convite a Elton John.

“Falei com o Elton antes do concerto e ele estava relutante em encontrar-se comigo, sabes, é suposto eu ser o gajo mais homofóbico do planeta”, contou Axl Rose pouco tempo depois do espetáculo à revista RIP. Sem sequer ensaiarem a música, o momento aconteceu mesmo, com 72 mil pessoas como testemunhas. E os dois até se abraçam no final:

https://www.youtube.com/watch?v=czch1XrKSgU

A Indiana University Studio Orchestra pegou na rapsódia dos Queen e adaptou-a para orquestra sinfónica. Violinos, violas de arco, trompetes, flautas transversais e até uma harpa fazem as vezes do baixo, da guitarra e do piano, numa versão que vale a pena escutar com atenção.

Pink, Robbie Williams, Elaine Page e Panic! At The Disco são alguns dos nomes que já se aventuraram a cantar “Bohemian Rhapsody”. Mas talvez Kanye West desejasse nunca o ter feito. Na mais recente e, tendo em conta a receção, menos popular de todas as versões, o rapper norte-americano aproveitou a presença no festival de Glastonbury, em junho deste ano, para homenagear Freddie Mercury. Não só se mostrou desafinado como não acertou na letra. Podia ter sido pior, mas as milhares de vozes do público, que também cantaram a letra, salvaram o momento.