Entre esta quinta-feira e sábado as temperaturas vão ter uma subida abrupta entre 10ºC e 11ºC. A culpa é de uma massa de ar quente de origem continental — aquele calor seco. E o problema é que se vai posicionar por cima da Península Ibérica durante vários dias. Por isso mesmo, estamos perante uma mais que provável onda de calor, a primeira desde os primeiros dias de agosto, que se estenderá por toda a próxima semana.
O país vai ficar assim quase todo com máximas acima dos 30°C a partir de sábado, com os distritos mais quentes a atingirem os 38ºC, o que deve acontecer no Alentejo e Vale do Tejo, segundo avançou o IPMA em comunicado. Podem não ser temperaturas tão altas como as que se sentiram em junho, julho e agosto. Mas como estão muito acima dos valores médios para a segunda quinzena de setembro configuram a tal onda de calor, que deve atingir a maior parte do país.
Para além das temperaturas máximas diurnas, há ainda que ter em conta as mínimas noturnas. Em muitos locais do Alentejo e Vale do Tejo e sotavento algarvio, de acordo com o IPMA, às 3h00 da madrugada os termómetros não vão baixar dos 20ºC, o que significa noites tropicais. Pode parecer simpático, permitir ainda umas noites quase outonais de esplanada, mas o risco das noites quentes é enorme, para o ambiente e para as pessoas. Nem os solos nem os corpos arrefecem o suficiente antes de voltar a aquecer, o que aumenta o risco de seca e de incêndios, num caso, e de várias doenças, no outro.
A subida das temperaturas será gradual e começa a sentir-se já esta quinta-feira, em que haverá também uma diminuição da intensidade do vento. Mantém-se algum vento, mas menos forte, e sobretudo o perigo de incêndio máximo/muito elevado. Mas já estamos a caminho de uma mudança de circulação atmosférica. O comunicado do IPMA descreve a “influência de um anticiclone”, que estará situado a norte dos Açores, e que se vai estender “em crista até ao Golfo da Biscaia”. Ou seja, favorecendo a entrada de ar continental quente e seco na Península. Porque será por esta via que se dará o transporte da “massa de ar de origem continental sobre a Península Ibérica”.
O instituto de meteorologia português acrescenta que este episódio de tempo quente de setembro “será caracterizado essencialmente” pela sua duração. É esta a característica que permite falar da “elevada probabilidade de vir a configurar uma onda de calor em grande parte do território”. Mas é preciso sublinhar o tal facto de “apesar dos valores previstos da temperatura máxima serem menos elevados que os registados em alguns episódios neste verão, serão substancialmente superiores aos valores médios para a segunda quinzena de setembro”.
Uma explicação que vale a pena sempre repetir. Considera-se “uma onda de calor quando, num período de seis dias consecutivos, a temperatura máxima do ar é superior em 5°C ao valor médio das temperaturas máximas diárias, para um determinado período de referência”. Não é preciso chegar aos 40°C para existir uma onda de calor. O critério utilizado pelo IPMA é relativo à climatologia de cada local.