Milhares de cidadãos preocupados com as consequências das alterações climáticas no planeta e na vida das pessoas vão participar em manifestações por todo o mundo, exigindo dos políticos reunidos em Paris decisões concretas para travar a subida da temperatura.

A Marcha Mundial do Clima, que está marcada para dia 29 de novembro, também deverá passar por Portugal, e no site da organização do evento internacional já constam cinco iniciativas, em Lisboa, no Parque Eduardo VII e no Parque das Nações, em Coimbra e em Fátima.

Os organizadores dizem esperar que “no domingo [29 de novembro] seja feita história” e acrescentam que já foi confirmada a realização de mais de 1.500 marchas por todo o mundo, com dezenas de milhares de pessoas a demonstrar a intenção de participar.

“A expetativa é que este venha a ser o maior protesto de sempre para proteger o planeta”, salientam, e desde aldeias mais longínquas a cidades maiores, “o mundo vai estar na marcha”, embora o centro de tudo seja em Paris. Os chefes de Estado e de Governo vão estar em Paris, na conferência das partes (COP) das Nações Unidas sobre clima, de 30 de novembro a 11 de dezembro, com o objetivo de conseguir um acordo entre os 196 países.

Serão negociados os últimos detalhes para o consenso na redução das emissões de gases com efeito de estufa, de modo a limitar a subida da temperatura média do planeta a dois graus, limite de referência acima do qual, segundo os cientistas, as consequências serão muito graves, principalmente os fenómenos extremos, como ondas de calor, levando à seca, ou concentração da chuva em períodos muito curtos, causando cheias e inundações.

Em cima da mesa também está, além da mitigação, as formas de adaptação e o seu financiamento, nomeadamente nos países menos desenvolvidos que, com frequência, são, e vão continuar a ser, os mais afetados pelas alterações climáticas, ou a transferência de tecnologia. Até agora, foram perto de 160 os países que avançaram com a sua contribuição para a redução de emissões, representando pouco mais de 90% do total, mas ainda não são suficientes para chegar à meta dos dois graus.

A Marcha Mundial do Clima vai ter lugar horas antes da cerimónia de abertura em Paris da COP, onde estarão vários responsáveis políticos, e pretende reunir grupos tão diversos como ambientalistas, agricultores, organizações comunitárias e religiosas, de jovens e de mulheres.

A iniciativa, segundo a organização, marca o início de duas semanas de ações, a decorrer ao longo da conferência, culminando numa outra mobilização, na capital francesa, a 12 de dezembro. “Este momento final vai mostrar aos líderes mundiais que as pessoas continuam a lutar por uma ação climática maior e mais abrangente em 2016 e para o futuro”, salientam os organizadores.

Os manifestantes prometem estar unidos para uma “ação ambiciosa e real” contra as alterações climáticas e para uma transição justa dos combustíveis fósseis e da “destruição que causam”, e no sentido de uma economia baseada nas energias renováveis, com soluções que beneficiem as pessoas e o planeta.

Vão pedir igualmente “justiça e direitos humanos para os mais afetados e menos responsáveis por causar as mudanças do clima”, pode ler-se no site.