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Está connosco agora ao telefone Tiago Pereira, é psicólogo e membro da direção da Ordem dos Psicólogos. Muito bom dia e obrigada por estar connosco. A juntar às imagens dos incêndios, podemos recordar que desde ontem há também a história do esfaqueamento numa escola. Como é que se pode lidar com a violência das imagens que estão constantemente à nossa frente e a entrar na nossa casa?

Muito bom dia. Antes de mais, permitam-me neste momento, que é um momento naturalmente sensível, agradecer aquilo que tem sido todo o contributo que uma grande parte de profissionais, voluntários, também de profissionais dos canais de comunicação social têm feito, exatamente para podermos também trazer à discussão este tema. E essa é uma primeira nota que eu gostava de dar, que é: se nós imaginássemos o nosso país há 20, 30 anos, nós infelizmente também vivíamos situações destas, mas do ponto de vista daquilo que era a cobertura das mesmas, estávamos menos sensíveis para discutir aquilo que são os impactos psicológicos que também existem nos indivíduos, nas famílias, nas comunidades. E é muito importante que isso também seja chamado.

Ou seja, está a haver uma evolução, pelo menos na sensibilidade para estes problemas.

Está, sem dúvida, e ela responde àquilo que também é uma perceção muito mais clara da sociedade, dos impactos, não apenas nas perdas de vida humanas e materiais, que são muito relevantes, particularmente as humanas, obviamente, mas também aquilo que são os impactos na segurança, no bem-estar, que isto impacta em termos da comunidade. E isso tem um efeito que é muito importante, que é um efeito de nos ajudar a estar mais preparados para vivenciar este tipo de situações e apelarmos mais a que, de um ponto de vista individual e de um ponto de vista coletivo, as comunidades estejam mais resilientes a estas situações. Mas eu não gostava de fugir à questão que coloca, e é muito importante que quando comunicamos este tipo de acontecimentos e particularmente a população mais adulta, por exemplo, quando comunica com as crianças e jovens, e agora até me referindo mais especificamente à situação que aconteceu ontem numa escola da Azambuja, de certa forma consiga ter uma atitude proativa na comunicação com as crianças e jovens relativamente a estas situações. A informação hoje é abundante e portanto ela chega de várias formas e é muito importante que haja algum controle destas conversas, no sentido em que se possa haver um controle emocional sobre a mesma e se perceber muito claramente aquilo que as crianças e jovens sabem e estão a sentir relativamente a esta situação, para poder complementar informação, para poder validar sentimentos, para abrir canais de comunicação que permitam com que a criança e o jovem se sintam mais seguros e mais protegidos relativamente a essa situação. E isso é válido para a situação da Azambuja, é válido para a situação dos incêndios e é válido para outras situações de violência ou de alguns desastres que têm acontecido no nosso país.

Tiago Pereira, muito obrigada por ter contribuído para chamar a atenção para este tema. A sensibilidade existe, não é nunca demais ou exagerado falar sobre ele. Tiago Pereira, pertence à direção da Ordem dos Psicólogos.