No dia em que passa um ano sobre os atentados de Paris, que começaram com um ataque jihadista à redação do semanário satírico Charlie Hebdo, três exposições lembram a data com inaugurações no Porto, em Lisboa e na Amadora. Esta quinta-feira à noite a RTP também exibe um documentário sobre os três dias de terror que se viveram em França, entre 7 e 9 de janeiro.

Mais de uma centena de desenhos de humor e dezenas de publicações que evocam os valores da liberdade de expressão e de imprensa podem ser vistos a partir das 18h00 desta quinta-feira no Museu da Imprensa, no Porto, e na Casa da Imprensa, em Lisboa. A mostra, que se chama “Liberdade com humor“, é uma forma de homenagear as 12 pessoas que morreram a 7 de janeiro de 2015, entre as quais Stephane Charbonnier, jornalista, desenhador e editor do Charlie Hebdo.

A maior parte dos desenhos expostos são do festival PortoCartoon e as duas exposições vão ser diferentes entre si. Há ainda alguns exemplares de revistas e jornais portugueses e estrangeiros que, há um ano, mostraram ao mundo a onda de choque provocada pelo massacre. Entre os estrangeiros contam-se o Paris Match, Libération, Le Monde, New York Times, Wall Street Journal, The Economist, The Daily Telegraph, Welt am Sontag, Der Spiegel, Time, El País, El Mundo, o jornal de humor Le Canard Enchainé e o próprio Charlie Hebdo.

O Ministro da Cultura, João Soares, que também tem a tutela da comunicação social, preside à inauguração na Casa da Imprensa, onde a exposição é composta por cinco dezenas de cartoons e publicações internacionais como a Veja, Nouvel Observateur, Marianne, Le Figaro, Courrier International, France Dimanche, Corriere della Sera, El País, e Charlie Hebdo, entre outras.

A Bedeteca da Amadora também lembra a data com a inauguração de uma exposição. “Estúpidos, maldosos e semanais. Uma constelação em torno do Charlie Hebdo” é uma mostra documental que visa mostrar o contexto em que o semanário satírico, assim como o grupo editorial que o fundou, associado à revista Hara-Kiri, surgiu.

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Capa do Charlie Hebdo de 9 de novembro de 2011, após um ataque de ódio à sua sede

Patente até 30 de janeiro, inclui referências da imprensa ilustrada satírica, banda desenhada, imagens do Charlie Hebdo e livros que refletem a sua história. Paralelamente, em “Cartoonismo: uma profissão de risco?”, organizado por Osvaldo Macedo de Sousa, revisitam-se vários artistas que no Médio Oriente e na Ásia têm sofrido represálias graves pelo seu trabalho artístico, “demonstrando que a luta pela liberdade de expressão é verdadeiramente universal, e que a solidariedade deve ultrapassar fronteiras, línguas e culturas”, escreve a Câmara Municipal da Amadora.

RTP1 exibe documentário da BBC sobre o atentado

Às 22h28, o canal público de televisão transmite “Charlie Hebdo: Três dias que chocaram Paris”, um documentário produzido pela britânica BBC sobre o que aconteceu desde que os irmãos Kouachi invadiram a redação do jornal em Paris, a 7 de janeiro, até ao momento em que Chérif e Said foram abatidos pela polícia francesa, bem como um terceiro terrorista, Amedy Coulibaly, que fez mortos e reféns num supermercado judaico dos arredores da capital francesa.

O documentário tem 60 minutos e conta com o depoimento de testemunhas, sobreviventes e pessoas que perderam familiares e amigos, naquele que é o retrato de uma nação afetada pelo terrorismo.