“Nunca se sabe ao certo, mas talvez os atores negros não tenham merecido chegar à lista final.” As palavras são da atriz Charlotte Rampling, 69 anos, e surgem na sequência de uma entrevista por ela concedida à rádio francesa Europe 1, aqui citada pela Time.

Nomeada ao Óscar de melhor atriz pelo seu papel no filme 45 anos, a britânica argumentou que o atual tumulto a propósito da falta de diversidade racial na 88ª edição dos Óscares é injusto para os atores caucasianos que estão na corrida à estatueta dourada. “É racista para os brancos”, disse Rampling esta sexta-feira.

Quando questionada sobre se a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas deveria introduzir quotas para promover a diversidade artística, a atriz respondeu: “Para quê classificar as pessoas? Atualmente toda a gente é mais ou menos aceite… (…) Alguém vai ser sempre dizer ‘Tu és muito…'”.

Os comentários da atriz — que, segundo o The Guardian, não foram particularmente bem recebidos nas redes sociais — surgem depois de o realizador Spike Lee e da atriz Jada Pinkett Smith terem afirmado que não vão marcar presença na próxima cerimónia dos Óscares, que se realiza a 28 de fevereiro. Ambos não vão comparecer como forma de protesto porque, pelo segundo ano consecutivo, todos os atores nomeados são caucasianos.

O desagrado não pertence apenas às ditas minorias, até porque ganha outra dimensão nas redes sociais: se no ano passado proliferou a hashtag #OscarsSoWhite no Twitter, em 2016 é a vez da etiqueta #OscarsStillSoWhite ser a derradeira protagonista.  O certo é que os protestos não foram em vão: esta sexta-feira é notícia que a Academia de Hollywood tem planos para duplicar a presença de mulheres e representantes de minorias entre os seus membros até 2020.