Poesia cheia de imagens, metáforas e cores, amparada por um som furioso. São as palavras escolhidas por Daniel Espíndola Black para definir o seu novo disco. Aos 29 anos, o músico, cantor e compositor está no lote das novas promessas da música moderna brasileira.

Dilúvio, o segundo álbum de estúdio, é o motivo que o traz a Portugal para uma série de espetáculos a solo, ele e a guitarra, sem rede, longe da música elaborada que demorou quase um ano a transformar em disco. Estivemos com Dani Black num hotel de Lisboa, dois dias antes da atuação no Teatro São Luiz, em Lisboa.

Recebeu-nos com a simpatia e o à vontade de quem se sente em casa. Teve a paciência de vestir um casaco e de ajeitar o cabelo para a fotografia, de procurar um canto com o máximo de silêncio onde se pudesse gravar. Não que o ruído de fundo lhe perturbasse o raciocínio, mas porque Dani Black é um homem que gosta de fazer as coisas bem.

Filho de Tetê Espíndola e Arnaldo Black, cresceu rodeado de música e de músicos. Teve como babysitter Chico César, que tocava violão para ele e para a irmã quando os pais saíam de casa. Não é para todos. Foi por isso com naturalidade que, aos 7 anos de idade, tenha começado a “brincar às composições”, uma brincadeira que nunca parou de fazer.

Ser filho de quem é foi a oportunidade de poder conviver com algumas das grandes personalidades da música brasileira – Zélia Duncan, Chico César, Ney Matogrosso, Elba Ramalho e Maria Gadú. Encontrou alguns num acontecimento especial no final do ano passado, quando tomou a iniciativa de fazer uma canção que se tornou no hino do movimento Virada Ocupação, que levou milhares de alunos a ocupar as escolas que o governador de São Paulo mandou encerrar.

https://www.youtube.com/watch?v=14NqOdRY_Ls

Sobre Dilúvio (2015), disse-nos que se trata de um disco poético e interior, bom para passear por dentro de cada um. É profundo sem ser pesado, porque a música introspetiva não tem de ser triste, pelo contrário. Demorou um ano até chegar ao resultado final, um disco de música pop elaborado ao pormenor, que arranca com uma orquestra (“Areia”) e termina de forma simples, um dueto com Milton Nascimento (“Maior”).

É uma entrevista que vale a pena ouvir, pela densidade do conteúdo, pelo gingar das palavras que passam para a música. A história de Dani Black é um dilúvio.

https://soundcloud.com/observadorpt/dani-black-diluvio

É a quarta vez que atua em Portugal mas a primeira em que se apresenta a solo, com repertório próprio. Diz-se “um bicho de palco”, tudo o que faz é um caminho para chegar ao público. Vão poder vê-lo já esta quarta-feira, dia 27, no Jardim de Inverno do Teatro São Luiz em Lisboa. A entrada é livre e limitada aos lugares existentes.

Agenda de espetáculos:

27 de janeiro – Teatro Municipal São Luiz, Lisboa
29 de janeiro – Auditório Municipal de Sines
30 de janeiro – CPSE, Tavira
1 de fevereiro – Casa da Música, Porto
2 de fevereiro – Salão Brasil, Coimbra
3 de fevereiro – Espaço Cultural Pedro Remy, Braga

HUGO AMARAL/OBSERVADOR