O livro “Crónica da Manhã”, de Agustina Bessa-Luís, publicada em dezembro último, é apresentado na segunda-feira, em Lisboa, anunciou a editora Babel, que adiantou à Lusa a publicação de um outro inédito da escritora, ainda este ano.

O inédito de Agustina Bessa-Luís “Formas de pensar” será editado antes do final de 2016, na coleção “Contemplações”, exclusivamente dedicada a obras da autora, e na qual se inclui já o título “Kafkiana”, que reúne quatro textos com reflexões de natureza literária sobre a situação do homem kafkiano face ao mundo e a ele próprio, disse à Lusa fonte da Babel.

A obra “Crónica da Manhã” reúne 23 crónicas proferidas por Agustina Bessa-Luís, no final da década de 70, no programa da RDP “Crónica da Manhã”, que era emitido diariamente, havendo, semanalmente, um compacto intitulado “Sete Crónicas”, com edição de Mário Figueiredo, que vai apresentar o livro na FNAC Chiado, em Lisboa, na segunda-feira, às 18:30.

As crónicas de Agustina Bessa-Luís foram emitidas de 06 de outubro de 1978 a 23 de fevereiro de 1979, e gravadas na RDP Norte.

Nos últimos anos têm vindo a ser publicados vários inéditos da autora d'”A Sibila”, nomeadamente cinco manuscritos da década de 1960, integrados no volume “Elogio inacabado”, publicado em agosto de 2014, pela Fundação Calouste Gulbenkian.

Em 2013, em declarações à Lusa, a filha da escritora, Mónica Baldaque, afirmou que estava a ser organizado o arquivo de Agustina Bessa-Luís, atualmente com 93 anos, tendo afirmado que havia “centenas de papelinhos escritos por si, notas que registava em faturas, em agendas, aforismos, pensamentos que, de alguma forma, iria utilizar na obra”.

O primeiro livro de Agustina Bessa-Luís, “Mundo fechado”, foi publicado em 1948. Desde então, a escritora publicou ficção, ensaios, teatro, crónicas, memórias, biografias e livros para crianças.

Várias obras suas foram adaptadas ao cinema por realizadores como Manoel de Oliveira (“Fanny Owen”, “Vale Abraão”) e João Botelho (“A corte do norte”).

O romance “A sibilia”, publicado há 60 anos, valeu-lhe os prémios Delfim Guimarães e Eça de Queiroz, os primeiros de uma lista de vários galardões, entre os quais o de Romance e Novela, da Associação Portuguesa de Escritores, em 1983, pela obra “Os meninos de ouro”, e que voltou a receber em 2001, com “Joia de família”.

A escritora foi distinguida pela totalidade da sua obra com, entre outros, os Prémios Camões e Vergílio Ferreira, ambos em 2004, e o Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, em 2005.