Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam muito bem-vindos a mais um "PopUp", o vosso júri no tribunal de todas as coisas da cultura popular, com gente que sabe o que é bom. Todas as semanas, Maria Ramos Silva, Bruno Vera Amaral e Pedro Buchinho Mendes. Como qualquer júri, este também tem por missão decidir o que é que é bom, o que é que é mau, o que está certo e o que nem por isso. É isso que vão fazer no programa desta semana, no banco dos réus, mais coisa menos coisa, senta-se a cerimônia dos Emmys. Foram entregues na madrugada de segunda-feira, hora portuguesa, naturalmente, os prêmios da televisão americana. Com mais estatuetas ficaram as séries "Shogun", em bom português, "The Bear", "Hacks" e "Baby Reindeer". A nossa questão é: será que foi tudo acertado ou se houve muitos erros? Segundo estes nossos amigos, aconteceram algumas coisas um bocadinho ao lado. Vamos tentar perceber quais e por quê. Pedro Buchinho Mendes, vamos começar por ti. Vou começar com uma citação, vou te citar, porque pra ti, a vitória de "Shogun", melhor série dramática, foi assim considerada nos Emmys, foi a vitória da série que, abre aspas, "é histórica e é suficientemente parada para parecer um filme." Eu fiquei com a ideia que isto não é um elogio.

Talvez seja.

Ora!

Talvez seja. "Shogun" é a adaptação de um livro. Já tinha sido feita uma série em 1980. Eu lembro-me do livro e lembro-me da série, vagamente. Naquela altura, havia séries de samurais e espadas, no fundo, lutas com espadas. Havia uma chamada "Ling Chung, o Justiceiro", no original "The Water Margin", que era baseada nuns livros, uns clássicos da literatura chinesa.

Ainda dizem que não há moçados.

Não era Ling Chung o herói de Liang Shanbo?

Sim, acho que é Ling Chung o justiceiro, mas ele era, de facto, o herói de Liang Shanbo.

Maria, ainda dizem que não há memória nas relações.

E depois tivemos os jovens heróis de Shaolin.

Esse eu lembro-me.

Sempre associamos estas séries japonesas, asiáticas, chinesas, deixa-me generalizar assim e estereotipar, com muita luta, muita espada e muitas cabeças cortadas. Portanto, muita ação. Este "Shogun", que foi concebido como uma minissérie, está na Disney+, é bastante parado.

É verdade.

80% do diálogo é em japonês, portanto, não dá pra estar no telemóvel seguindo as últimas e vendo a série ao mesmo tempo.

Mas diga-se que o livro não é de um japonês.

Não, o livro não é de um japonês, mas estou a falar desta versão. E acaba por vencer, creio eu, por exclusão de partes, que é: eu, jurado dos Emmy, não sei bem, estou um pouco perdido, já que os meus amigos jornalistas não me dizem que série é que está a dar, já que "Succession" acabou. "The Bear" concorre em comédia. Então eu tenho aqui umas nomeadas que são: "The Crown", que já é velha; "Fallout", que é uma série que eu acho que tem sido injustiçada, ou pelo menos é uma série da Amazon de que eu gostei bastante; "The Gilded Age", que é uma espécie de "Downton Abbey" passado na América, em Nova York, e que também passou um pouco ao lado, apesar de ter ótimos personagens; "The Morning Show" da Apple, aquela com a Jennifer Aniston; "Mr. & Mrs. Smith", que é péssima, portanto, nem vale a pena referir, que é inspirada naquele filme com o Brad Pitt e a Angelina Jolie; "Slow Horses", que é uma série inglesa que está na Apple e que muita gente gosta, incluindo eu; e "3 Body Problem", que é uma adaptação de um livro e que tem uma série de ficção científica, de que eu gostei, mas muita gente não gostou. E, de facto, "Shogun", não sei como é que se dá.

Não sei o que eu disse em bom português.

Seria a mais a mais encorpada para vencer o Emmy. E eu creio que acaba por vencer porque era a série mais parecida com uma ideia de série de qualidade que os jurados avaliaram ou puderam avaliar. Agora, se foi vista, visionada, se as pessoas gostaram, não parece. Por exemplo, aqui em Portugal, não teve grande repercussão. Inclusivamente, os portugueses, isto é passado no Japão do século XVII, portanto, os portugueses participam bastante na ação, não necessariamente como partes boas da ação, mas às vezes até como vilões. Mas os jornalistas portugueses não devem ter assistido, porque senão teria havido historiadores a dizer que a série retratava mal não sei o quê. Como aconteceu um pouco, aliás, com aquele filme do Scorsese, o "Silêncio", que também é baseado num livro. Pronto, é isso. É uma série que parece um livro, chata que dói, mas pronto, é assim.

Muito bem, é uma avaliação legítima e fundada em alicerces bem sustentados. Maria Ramos Silva, tu queres começar por destacar Jean Smart, que ganhou o prêmio para melhor atriz de comédia. É a protagonista da série "Hacks", que já foi elogiada neste programa cerca de 70 vezes. E, nas tuas palavras, sambou na cara das jovens e descascadonas.

Também, era um apontamento.

Ainda que não tenhas nada contra quem se descasca.

Nada, mas de facto a Jean Smart.

E samba.

E que samba, claro. Mas a Jean Smart acho que dá aqui uma belíssima lição. É o look, a pinta, a graciosidade, os seus 73 anos impecáveis e o talento, claro.

E tem muita graça.

Tem muita graça. A série, de facto, é boa, e é boa, sobretudo quando tu olhas, fazes essa análise mais alargada, ou aplicas esta análise do Pedro para o drama à comédia, neste caso. E percebes que chegas àquela exclusão de partes que é um pouco natural, em que, de facto, é mais fácil encontrares alguém que se Que se destaca porque preenche as tais coisinhas todas, as caixinhas todas de requisitos. E, portanto, é aquilo que se parece mais com o que deve ser um vencedor. E eu acho que nós chegamos, de fato, a esse ponto em que, à falta de uma certa abundância de qualidade, acabamos por nos resignar a essa ideia de: parece um produto que pode receber este prêmio dos Emmys. Neste caso, eu acho que não é nenhum favor que fazemos, é de fato justo, acho que se destaca e acho que está muitíssimo bem entregue.

Além de que "Hacks" ganhou o prêmio de melhor série de comédia e deu uma xeropada àquela questão de "Berta" ter sido inscrita na categoria de comédia.

Sim, e já agora, se fosse um grande caldeirão em que misturássemos "Shōgun" e "Hacks" e, portanto, comédia e drama tudo junto, eu não me chocaria nada que ficasse à frente das espadas do "Shōgun".

E "Hacks" o Pedro gosta, atenção.

Pronto.

Em "Shōgun" há poucas espadas, é uma das queixas.

Esse é que é o problema.

Dizem que sim.

Esse é que é o problema. Bruno Vera Amaral. Outro destaque, outra mulher, tu queres falar de, eu acho que isto é pela positiva, digo eu, Jodie Foster. Ganhou o prêmio de melhor atriz numa minissérie dramática por "True Detective".

E ganhou.

E ganhou bem.

Acho que ganhou bem. A Jodie Foster, até por se ter afastado do cinema. Eu lembro que a Jodie Foster ganhou dois Oscars em três, quatro anos e toda gente esperava que ela fosse bater o recorde da altura da Katharine Hepburn, que acho que ainda continua, não sei se a Meryl Streep entretanto já igualou. E a certa altura também realizou, experimentou a realização e a partir do final dos anos 90 foi desaparecendo, por vontade própria, presume-se, do cinema. E depois reapareceu, mas nunca foi um grande comeback. Isto aqui que aconteceu agora é o mais parecido a um grande comeback da Jodie Foster e acho que é das melhores coisas daquela série, refiro-me a esta temporada do "True Detective".

Concordo.

Que não gostei. Aliás, o Pedro estava aqui a falar das séries.

Tem demasiada buchariega.

Nada quase me interessa destas séries. Umas vi um ou dois episódios, por exemplo, o "Problema de Três Corpos".

Fizeste aquela cara como se o teu filho tivesse chegado a casa e tivesse pisado, ou como se diz no Norte, calcado porcaria no chão e tu fazes: "Miúdo, por que é que quando apareces em casa..."

Vai limpar isso.

Exato.

É isso, vão limpar isso, porque não há nada assim realmente que entusiasme. O que é paradoxal, quando pensamos que o "Shōgun" bateu o recorde de prêmios.

É verdade. Porque juntando as categorias técnicas e tudo mais, ganhou 18 Emmys.

A minha sugestão da semana é o documentário do David Chase sobre o David Chase do "Sopranos". E a dada altura do documentário, vê-se o entusiasmo que aquilo gerou no final da primeira temporada. "Os Sopranos" estão noutro patamar, claramente. Mas este "Shōgun" tocou o Pedro. Isto chegou a quem? O "Shōgun" chegou a quem? Quem é que viu? Quem é que realmente está entusiasmado, está cheio de vontade de ver a segunda temporada?

Mas podemos ponderar que agora...

Pronto, eu sei que os prêmios têm que se entregar a alguém.

Não é isso. Com este prêmio, será que vai ter agora a atenção que realmente merece?

Não, porque os próprios Emmys acho também que ninguém liga muito, a não ser nós que estamos aqui a falar sobre eles.

É custoso de ver. Nós quando vamos ao cinema e pagamos bilhete, tem essa questão, a sala está escura, há todo um ambiente que nos compromete com a obra.

Certo.

Na televisão não há isso.

Claro.

E é difícil de ver esta série. Não quer dizer que não mereça ser vista, obviamente, não estou a dizer que é má, pelo contrário, mas de fato é difícil de ver uma série falada em japonês, com muito diálogo, com nomes que tens que memorizar e com um contexto que muitos de nós desconhecemos, a não ser que sejamos especialistas naquela altura.

Na matéria.

Exatamente, na história japonesa daquela altura. Deixa-me só dizer que eu achei esta temporada de "True Detective" muito má, talvez de longe a pior temporada de "True Detective", e achei que nem sequer a Jodie Foster se salvou, porque eu acho que ela desde há uns anos que faz Jodie Foster. Ela foi ótima, pelo menos para mim. Ela entrou no "Taxi Driver", mas foi ótima em "O Silêncio dos Inocentes" e naquele filme "Contato", que é um filme que eu revejo bastante.

Também gosto muito.

E me surpreende sempre.

Já sei, do Robert De Niro.

Isso, e me surpreende sempre que seja com o Matthew McConaughey.

É verdade.

Fico sempre surpreendido.

Como é que ele conseguiu?

Este entra aqui? E esse, de fato, o "True Detective", que eu vi penosamente até o fim, porque eu sou aquele tipo de pessoa que gosta de ver sempre até o fim, achei uma coisa inacreditavelmente má. Felizmente, também não estava nomeada para Emmy, porque senão ainda corria o risco de ganhar.

Imagina. E aí é que era o descalabro. Bom, próximo capítulo. Pedro, já que estás com a bola, dizes que "Baby Reindeer" ganhou porque foi das poucas coisas que os jurados viram. Ganhou, se não me engano, foi o Emmy de minissérie, ou série limitada, como eu disse.

Certo.

Dizes que foi das poucas coisas que os jurados viram. Isto é uma acusação gravíssima da tua parte.

Sim, eu já cometi o erro de uma vez ser jurado do New York Festival. Achava que era uma coisa assim daquelas coisas de pôr no LinkedIn.

Mas ao menos foste para Nova York.

E de quando estou numa festa, tentar meter conversa com uma miúda e dizer: "Não, não fui a Nova York, essa é que é o ponto."

Nem isso.

Então começo a receber e-mails com o screening room. Tens de ver estas 400 horas até amanhã às 15h. Eu fiz o melhor que pude. De fato, vi muita coisa. Vi, por exemplo, um ótimo filme alemão sobre o Beckenbauer, não sei se sabes quem é, um jogador de futebol.

Sei. Esse eu conheço. Sabes por quê? Porque é uma estrela pop.

Morreu há pouco tempo.

Sim, relativamente há pouco tempo.

Mas de facto é impossível veres todas as obras e, sobretudo, é impossível comprometeres-te emocionalmente e artisticamente com tudo o que fez. Eu acho que o "Baby Reindeer" atinge aquele, vou usar uma expressão que se usa agora e para eu próprio parecer jovem, sweet spot entre o entretenimento, o soap opera, o telenovelesco e a imprevisibilidade, porque a série eu diria que está dividida em dois. Aparentemente, é uma questão de bullying e de perseguição por parte de uma mulher a um homem, mas depois acontecem coisas a meio. Eu acho que é uma série que se vê bem, até se vê muito bem. Eu vi com bastante interesse todos os episódios. Está bem feita e, sobretudo, não está feita de uma forma previsível, portanto, nós acabamos por ser surpreendidos. E portanto, parece-me que venceu bem também porque satisfaz o compromisso do espectador. Os outros nomeados eram: "Fargo", "Lessons in Chemistry", "Ripley" e "True Detective". "True Detective" nunca poderia ganhar, era o que faltava, eu próprio iria lá e partia aquilo tudo. "Fargo" já é antiga, não quer dizer que não merecesse. "Lessons in Chemistry" é uma série baseada num livro, mas é demasiado delicado doce. E depois "Ripley", que podia ter ganho, mas ganhou o "Baby Reindeer". É mais fácil de ver. É um easy view.

Sim, certo. Estou a perceber onde queres chegar. Maria Ramos Silva, já tu não percebeste bem, foi a distribuição atribuída ao protagonista desta série, o Richard Gadd, que também é o criador, ganhou como melhor ator, e dizes que foi tudo por causa de um fenómeno xalalá, que rodeou a série. Que fenómeno foi esse?

Eu percebo que esse troféu seja entregue na categoria de série, minissérie limitada. Porque de facto tem esse fator fora da caixa. Quando olhas para a concorrência, há ali algo que de facto se destaca. Nós podemos ter gostado mais ou menos do conteúdo, mas de facto, não só teve contornos imprevisíveis dentro da trama, como depois teve ramificações cá fora meio imprevisíveis. Porque cá destantas apareceu a suposta pessoa que era a perseguidora e que tinha sido perseguida. Isso depois chegou aos jornais e elas trouxe de uma forma quase viral, ao ponto de nós não percebermos onde começava a realidade e a ficção.

Ótimo marketing gratuito.

Aliás, especulava-se também que todos esses detalhes faziam parte desta grande campanha de marketing. Parece-me bastante razoavelmente bem entregue este award. Agora acho que não era preciso chegarmos à parte dos atores, até porque havia ali concorrências relativamente interessantes. Acho que acaba, aí sim, por sofrer desse fenómeno que o Pedro falou, que é provavelmente as pessoas só viram aquilo ou viram mais aquilo e portanto sabiam no que estavam a votar. Não é que sejam más escolhas, mas penso que os outros terão perdido um pouco.

Mas o tipo safa-se bem.

Sim, eu digo é que acabou por ter um pouco esse efeito eucalipto, ou seja, os outros acabaram por perder um pouco na corrida. Mas sim, compreendo mais facilmente este fenómeno. Tenho mais pena, por exemplo, no caso da Jodie Foster. Eu acho que a Naomi Watts fez um belíssimo papel naquela minissérie do Capote. E acho que a Jodie Foster acabou por também-

Já lá vamos a essa parte. Não queimes já os teus cartuchos.

Ok.

Bruno, tu também queres?

É só meter uma colherada.

E avisando que ainda vamos falar de Andrew Scott.

No "Baby Reindeer", porque eu acho que é sempre mau sinal quando se fala mais de uma série, por tudo o que está à volta e o que acontece e todas as curiosidades do que da série em si.

E achas que foi o que aconteceu aqui?

É um fenómeno, por um lado, de facto, tornou-se um fenómeno cultural como poucas séries nos últimos tempos. Teve essa capacidade até de chegar a um público que provavelmente nem liga muito ao assunto, aos assuntos, e nem é muito consumidor de séries, mas aquilo foi tão falado, apareceu tanto e discutiu-se a questão autobiográfica. Mas discutiu-se acima de tudo isso, foi essa a questão. E talvez também tenha sido por isso que ganhou. O Pedro há pouco dizia que o "Shōgun" ganhou por corresponder a essa imagem do que será uma série de qualidade, prestígio. E aqui foi um pouco por ser uma das poucas, senão a única, que causou ondas.

Deu o que falar.

Fora da questão estrita da qualidade.

Como aconteceu, se calhar-

De surpresa. De um lado tens a respeitabilidade e do outro a surpresa.

Como aconteceu, se calhar, há dois anos, que foi com o "Squid Game", por exemplo.

Sim. Acho que foi um pouco isso. Quando a discussão passa por esse nível, perdem-se de vista um pouco os méritos artísticos da série e mesmo dos desempenhos. E aquilo passa a ser outra coisa. Claro que para quem produz, para quem escreveu, é um grande sucesso, mas parece que se está a falar de tudo menos da qualidade artística da série. E estavas a falar do "Squid Game". É isso, torna-se um fenómeno sobre o qual se fala, sobre o qual se discute. É quase um pretexto para estarmos a discutir outras coisas.

Que depois resulta muito bem nos números.

Claro, para os números deve ser melhor, porque muitas pessoas certamente não teriam visto a série. Aliás, eu perguntava-me quando a série apareceu. O que será isto?

Exato.

Não tinha ouvido falar e de repente parece que só se estava a falar daquilo. Claro, para a Netflix é ótimo e para o autor é excelente, mas é sempre o que acontece quando uma coisa se torna um fenómeno. O "Shōgun" não é um fenómeno.

Exato.

Esta aqui é um fenómeno

Não sei se há aqui um equilíbrio entre fenómeno e qualidade.

Muito bem, chegamos ao final da primeira parte do "Pop-Up". Voltamos depois de um curto intervalo. Até já. Estamos de regresso ao "Pop-Up" com Maria Ramos Silva, Bruno Vieira Amaral e Pedro Buchinho Mendes, como sempre, aqui na Rádio Observador, à quinta-feira, à 13h00, com repetição ao fim de semana e sempre em podcast. Siga-nos na sua plataforma favorita. Esta semana estamos aqui a fazer as contas aos Emmys, os prémios da televisão americana que foram entregues no início da semana. Pedro Buchinho Mendes. Aliás, eu peço imensa desculpa, temos que fazer aqui uma interrupção nesta questão dos Emmys, porque temos sugestões da semana para dar aos nossos queridos ouvintes.

Estavam telefonados já.

Não, eu estava aqui a ver o PBX.

Não, isso agora não interessa. Sugestões, quem manda sou eu.

Não, isso é muito importante. Até porque temos imensos livros aqui. Por acaso tens aqui um livro. Pedro, vamos começar por ti. Queres falar-nos de dois livros? "Física da Tristeza" e depois aqui um que eu tenho alguma curiosidade, que se chama "Kill the Son". Segue em frente, amigo Pedro.

Dois livros, um que acaba de ser lançado em Portugal, do Gospodinov, "A Física da Tristeza", um escritor búlgaro de que eu gostei imenso de ter lido o primeiro livro que falei aqui. Este foi escrito 10 anos antes, ainda não li, mas recomendo, porque gosto imenso do autor.

Isto é que é atitude, é recomendar antes de ler.

De certo será bom. Chama-se "A Física da Tristeza", da Relógio d'Água. Depois, este livro, que eu esperava ansiosamente há meses, da crítica da "New Yorker", Emily Nussbaum. O livro chama-se "Kill the Son: a invenção da Reality TV". Eu gosto muito de livros sobre a história da televisão. Tenho uma bela biblioteca, que conto doar a alguém antes de morrer, para que as pessoas, quem quiser, estiver interessado.

Tens herdeiros?

Eu tenho mesmo bastantes livros sobre a história da televisão. É mais um, claro. Mas que estou a ler com muito interesse.

Para já, a autora sabe bem do que escreve, não é isso?

Sim, e sobretudo investigou. É um género que não existe muito em Portugal, já temos falado sobre isso fora aqui dos microfones. É uma espécie de reportagem de 400 páginas sobre a história da televisão. Ela tece algumas considerações e liga alguns raciocínios, mas o livro, pelo menos para mim, vale sobretudo pelo conteúdo. Por exemplo, os apanhados da televisão, o "Candid Camera", como se chamava, a câmara cândida, a câmara bondosa, começa na rádio, eu não sabia. Começa por ser um programa de rádio e depois é feito em televisão. Isso nos anos 50. Eu não sabia. E o facto de eu não saber está nas coisas mais interessantes para mim.

Lógico, obviamente.

E ela considera a reality TV tudo aquilo que não é ficção, tudo aquilo que não é scripted, como se diz na gíria, que não tem argumento. E inclui coisas como o dating game, que eram aquelas coisas que às vezes vemos nas redes sociais ou nos TikToks, que é uma rapariga a escolher pretendentes. Aqueles formatos de dating que havia, formatos em que os casais fazem perguntas uns sobre os outros e depois elas respondem, que faz parte aquela célebre pergunta, que é: "Qual foi o sítio mais incrível onde já fizeste amor?" Não, mas ela explica a origem dessa frase, só por isso vale a pena ler o livro. Se é myth urbano ou se não é myth urbano, fica aqui em suspenso. É um livro que eu recomendo vivamente. Emily Nussbaum, "Kill the Son", podem mandar vir pela Amazon e onde quiserem.

Pronto. Maria, também tens um livro.

Tenho, sim.

Segue.

Tenho O Desertar, do Mathias Énard. Eu tenho andado a seguir o escritor francês desde que ele ganhou o Goncourt.

O que é que o rapaz anda a fazer?

Anda a fazer coisas muito boas, para não variar. Eu acho que há, de facto, poucos escritores que conseguem isso. Quer dizer, há muitos, mas é difícil nós andarmos sempre com o caminho encontrado com estas pessoas. E o que eu sinto sempre que leio um romance do Mathias Énard é que, mesmo naquelas páginas em que tu parece que estás aqui por alguma dormência, há ali uma frase qualquer que te consegue agarrar pelos colarinhos. E eu acho que quando um escritor consegue fazer isso e nos consegue de facto levantar e abanar, é extraordinário e eu tenho que recomendar, obviamente.

Ouviste, Bruno?

Sabes que eu entrevistei o Mathias Énard em 2009 para aquele jornal célebre.

Uma celebre publicação que existia.

É verdade. Naqueles termos.

Eu creio que também és fã, não é?

Sim. Eu, por acaso, agora não posso ler.

Tens outras coisas para fazer.

Tenho outras coisas para fazer, mas tenho-o lá em casa e gosto muito do Mathias Énard.

Muito bem, para fechar aqui o capítulo sugestões. Bruno, viste finalmente o documentário "Wise Guy" sobre o David Chase e os "Sopranos".

Sim, e gostei muito.

E pronto.

Gostei e por isso é que eu vou recomendar. Ao contrário do Pedro, gostei. Ia com expectativas elevadas, de facto.

Isso é um perigo.

E gostei, acho que cumpre.

Super documentário, não vai ganhar um Oscar de melhor documentário.

É comigo.

Pois, é a minha aposta.

Nunca se sabe.

Mas achei que cumpre a função de mostrar como a série Os Sopranos é um projecto de autor, é um projecto pessoalíssimo do autor. De mostrar também como é que funcionava a dinâmica dentro do writer's room, da sala dos guionistas, porque Os Sopranos, como a maior parte das séries, tem o tal showrunner e depois tem vários guionistas a trabalhar. Aquilo não é só uma pessoa, mas há um autor que é o responsável por dizer pra onde é que quer que as coisas vão e aceitar ou não, ou rejeitar ideias que surjam. E é incrível como pessoas tão diferentes, percebemos isso pelas declarações deles, pelos testemunhos deles, acabam por fazer um objeto tão coerente, um produto tão coerente e tão pessoal, porque é isso que marca, quanto a mim, a diferença de Os Sopranos pra maior parte das séries. Não é ser mais ou menos inspirada em factos reais. Não, é como é que tu consegues canalizar, até para personagens secundárias, questões pessoais e consegues expor essas questões pessoais através dessas personagens, através de cenas. E através do documentário, tu percebes como é que isso foi feito, porque os próprios guionistas iam buscar muitas coisas às memórias deles, à experiência pessoal deles, e transportavam-nas para aquele universo de mafiosos. Tem sempre esse aliciente. Eu gostei do documentário, não acho que seja uma hagiografia do David Chase. Ajuda a perceber muita coisa sobre a origem da série e depois como foi desenvolvida e da relação dele com os atores, da relação dele com os outros argumentistas, da relação dele com a HBO. A HBO também é criticada em certos momentos e, aliás, é até bastante veementemente criticada. Gostei muito e recomendo vivamente.

Sim, senhor.

Obrigado.

Hora essa. Volte sempre. Vamos então avançar, que eu estar aqui com os Emmys. Entramos no capítulo "Não ganharam nada". E neste capítulo, Pedro, queres falar sobre Larry David?

Sim, Larry David mais uma vez não ganhou.

Isso.

Larry David que conseguiu a proeza de ser o grande escritor de Seinfeld.

Que foi lá em lado pessoal, não é?

Sim, há muitas coisas em Seinfeld que são coisas que se passaram na vida de Larry David. Depois Larry David, aparentemente, ficou milionário e mudou-se para Los Angeles, pra Califórnia, e decidiu mesmo assim fazer uma série, precisamente pra HBO, chamada Curb Your Enthusiasm. Calma, Larry, como se chama em Portugal, que é um nome bastante mau.

É, sim, eu diria que sim.

Com jeito vai.

É Calma, Larry!

Ponto de exclamação. Tem um ponto de exclamação no fim.

Calma, Larry!

Sim, não faz muito sentido.

Calma aí, pá.

"Epá, calma, Larry."

Epá.

Tem lá calma.

Que algumas pessoas, incluindo eu, consideram superior a Seinfeld, apesar de Seinfeld ser a melhor série de comédia, mas talvez tenha a ver com o facto de a linguagem em Calma, Larry seja diferente e é uma espécie de improviso. Bom, quem nunca viu, aconselho vivamente a ver, está na HBO. E ganhou aquele tipo The Bear, que foi inscrita na categoria de comédia porque os produtores perceberam que jamais ganharia no drama porque Succession, a tal série de jornalistas, estava a limpar tudo.

Agora já podem.

Agora já poderiam. Mas naquela altura, Succession estava a limpar tudo, portanto, inscreve-se a tua série.

Mas depois não ganhavam Shogun.

O Jeremy Allen White, que é o protagonista.

Pronto, ele vence como ator de comédia e Larry David perde. Eu acho que está tudo dito. Acho que The Bear é uma série quase tão chata como Shogun, mas como tem episódios mais curtos.

E acaba por ter mais facas, porque é uma cozinha. Enfim.

Foi uma piada. Tentei.

Boa. Vocês um dia chegam lá. Maria Ramos Silva, no campeonato não ganhou nada. Queres falar? Lá está a Naomi Watts. Ela estava nomeada para melhor atriz nas minisséries, no Field Capote Versus The Swans, e perdeu para Jodie Foster. Mas tu achas que não ia nada mal se tivesse ganho.

Acho que não ia, mas lá está, havia aquele lado.

Lá está, é a vida.

É a vida. Jodie Foster é aquele fenômeno.

Naomi Watts vai muito bem nessa série.

Ela vai muito bem. Ela é de facto maravilhosa.

E a série é bastante--

Edie Mur também.

Sim, toda. Aliás, nessa série também.

Ah, sim, sim. É verdade.

Nessa série, acho que tem um elenco absolutamente extraordinário.

É muito bom.

O próprio Capote não vai mal, aquilo é de facto muito interessante. E lá está, o que eu acho é que provavelmente pensaram: "Bem, temos aqui a Jodie Foster numa das piores temporadas de True Detective de sempre."

Mas se não for agora...

Mas se não for agora, quando é que vai voltar a ser?

Jodie Foster esteve nomeada para o Oscar de melhor atriz secundária, não se esqueçam.

Certo.

Ah, das adoradoras.

Sim, mas eu penso que ela não tinha nenhum Emmy.

Esse filme é uma chatice.

Não tinha nenhum Emmy, exato. Portanto, eu acho que houve aqui uma espécie de resolver a questão.

Desculpem, já estava aqui numa conversa.

Eu gosto de filmes de natação e gosto de natação, gosto muito, mas esse filme não é grande pistola.

Pobre Naomi.

Sim, a Jodie Foster era quase

Quase inevitável que ganhasse.

Prémio carreira.

Um pouco. E aquela sensação de um regresso como protagonista. Ela estava nomeada como melhor atriz secundária para os Oscars, mas aqui houve um regresso como protagonista e havia uma quase sede de ver Jodie Foster em primeiro plano novamente. Eu acho que isso explica.

O Bruno tem algum mérito, porque na verdade a única coisa interessante é ela.

É isso, eu tinha dito isso. Acho que é de longe o melhor da série, ainda que possa, como dizia o Pedro, se compararmos com outras performances de Jodie Foster, estará longe. Mas houve aqui outros factores à volta, que é o que estamos também aqui a discutir.

Claro.

Como é que estes factores influenciam também, desde o facto de pores uma série numa outra categoria, o facto de uma série ter um alcance que vá muito para lá do público habitual, se se torna ou não um fenómeno cultural. Tudo isso pesa no momento de escolher, porque quem está a escolher também é influenciado, não é imune a esses factores.

Amigo Bruno, mas a verdade é que quem também não ganhou nada foi o Tom Ripley, do Andrew Scott.

Pois é, o Ripley ganhou como melhor realizador.

A série ganhou. Já vou ver.

O Steven Zaillian ganhou, mais conhecido como argumentista.

Mas o Andrew Scott não ganhou.

E eu gostei tanto do Andrew Scott no papel do Ripley.

Vai muito bem.

Gostei muito da minissérie. Ultimamente tem-me custado muito gostar de séries e do Ripley gostei muito.

Ganhou fotografia.

O que é compreensível.

A série ganhou fotografia, ganhou realização e ganhou montagem sonora.

E podia ter ganhado também o melhor ator.

Efeitos visuais.

Até pelo hype é estranho. É que houve tanto hype à volta disso.

E é um excelente.

Ganhou o amigo do Baby Reindeer.

É sim, veja. Eu acho que no capítulo dos atores, não ganhou nada o Ripley.

Não, só ganhou estas-

Categorias. Também está bem.

Estão bem entregues, deixa estar.

Não vou contestar, mas eu gostei muito do Andrew Scott no papel do Ripley.

Muito bem. O último capítulo desta revisão. Parece-me a mim que são prêmios com os quais vocês estão de acordo, Pedro Boucher de Mendes. O Daily Show venceu, eu não sei como é que traduzir, melhor talk show? Por aí.

Eu não estou necessariamente de acordo.

Ok, espera lá.

Jon Stewart é um grande. O jornalismo em geral venera ou venerava Jon Stewart.

Mas o rapaz é bom.

Eu não estou a dizer que é mau. Nem sempre os jornalistas estão errados. Não só em Portugal, obviamente, mas em Portugal veneravam Jon Stewart. Tudo o que Jon Stewart fazia, inclusive espirrar, era visto como um sinal.

Olha lá, pronto, foi espirrar. Exato.

Ele abandonou o Daily Show, foi substituído pelo sul-africano Trevor Noah, um humorista sul-africano que sempre fez muito bem o seu trabalho, mas a verdade é que o Daily Show se eclipsou, apesar de o ano passado, por exemplo, o Daily Show ganhou com Trevor Noah. E este regresso do Jon Stewart, que tentou fazer umas coisas também na Apple, é uma espécie de regresso com o rabo entre as pernas, creio eu. Portanto, este Emmy talvez seja um estímulo para o Jon Stewart, tipo: "Anima-te, Jon, vais ver que a malta vai voltar a gostar de ti."

Calma, Jon.

Exatamente. Eu teria preferido que ganhasse o Late Show with Stephen Colbert.

Mas não eras jurado?

Não, não sei.

Desta vez não te convidaram.

Para ficar em casa outra vez.

Aqui com pouca modéstia.

E aqui que ninguém nos ouve.

Sim, os tipos do New York Festival mandam e-mails e eu claro apago logo, que eu não quero essa perturbação.

Maria Ramos Silva, tu ficaste contente com a vitória de Lisa Colón-Zaya. E a pergunta é: quem é Lisa Colón-Zaya?

Fiquei. É uma das atrizes secundárias do The Bear.

Essa série horrenda.

Já que temos que distribuir prémios por The Bear.

É a chef latina.

É. Já que temos que distribuir prémios por The Bear, que não fique tudo resumido ao Jeremy Allen White. Eu já não consigo olhar para o Jeremy Allen White.

Para as tatuagens dele.

Não, já não dá.

Já viste aquele vídeo que mostra

A desenharem, a fazerem as tatuagens na caracterização, e ela não tem nada daquilo. Naqueles braços de búzios. Portanto, aquilo demora imenso tempo.

Mas aquele seu ar sempre de sofrimento existencial.

Acho que ele vai muito bem num filme, desculpem-me, sobre wrestling, uma família de wrestlers.

Olha, não vi. Gostava de ver.

Também gostava de ver. Acho que ele vai bastante bem nesse filme, vi críticas. Gostava de ter visto esse filme.

Vamos combinar, Pedro.

Sim, vamos.

Vamos combinar isso.

Não é mau, mas fico contente porque ela está ali, de facto, numa segunda linha. Normalmente estas atrizes secundárias têm muito pouca ou muito menor visibilidade, por razões óbvias. Ela sempre teve um trajeto muito off-Broadway.

E é uma série que tem personagens secundárias interessantes.

Muito boas, exactamente. Eu acho que vale, sobretudo, mais por isso.

O Pedro não concorda.

Não, o Pedro fez aquele olhar de refeição estragada.

O tio que não tem paciência porque lhe estão a gastar o dinheiro.

Não, esse é detestável.

Tem o amigo, que afinal não é bem amigo e que lhe enfia a faca nas costas.

Eu gosto do tio.

Eu gosto da aí.

Eu gosto do tio e percebo que o tio esteja chateado, que está ali a enterrar dinheiro num negócio, e o negócio não anda. Ponham um pouco de empatia.

Sim, claro.

Gostaste daquele episódio cocado com a Jamie Lee Curtis?

Qual? Aquele de cerca de seis horas? Não, não gostei. Por acaso, não gostei. É demasiado longo e é tudo entabulado ao mesmo tempo. Bom, mas as pessoas não ouvem este programa para ouvir o que eu penso. Ouvem isto para ouvir pessoas como o Bruno Vieira Amaral.

Sim.

Que, vou citar-te: "Gente do cinema na telinha. Isto é uma coisa boa?"

É gente-

Médio.

É médio. E não sei se já não passou aquela fase de achar: "Está aqui uma nova via para as nossas carreiras."

Eu acho que isso já está a acabar.

Olha, a Maria está sem experiência.

Só se for o Brad Pitt, praticamente. Mas o sector se calhar atingiu ali o pico com o Matthew McConaughey.

Pois é, o Brad Pitt e a televisão. Temos que estar atentos a isso.

Olha, o Brad Pitt vai estrear em um filme com o Nick que preocupa bastante.

O DiCaprio. É em "The Wolf".

Preocupa-me bastante.

O DiCaprio nunca se vai meter nessas coisas.

Pois é.

Estão ocupados.

Não, ele escolhe muito bem os filmes.

A não ser que o Scorsese faça séries.

A não ser. Eles ajudam-se mutuamente.

Exato.

Mas parece que passou um bocadinho aquela-- eu estou a dizer isto e a Jodie Foster ganhou um Emmy.

Lá está.

Mas parece que já passámos para uma fase diferente, em que já não há aquela coisa: "Eu tenho de ir fazer o meu projeto televisivo, porque está toda a gente a fazer e isto agora é que está a dar." Uns atores que vão aparecer, muitas vezes até em coisas relativamente desinteressantes ou em papéis relativamente menores, mas já não há aquela fome de ir atrás de um grande papel na televisão, porque toda a gente está a fazer. E do outro lado, também tenho alguma curiosidade em ver como é que estes atores que se destacaram em papéis em séries, como o Jeremy Allen White, agora se vão dar, se é que se vão dar, no cinema, porque mesmo assim houve muitos premiados que ninguém conhece. Ou seja, não são estrelas de cinema, não são figuras de primeiro plano do cinema. Mesmo o Andrew Scott.

Olha, a Lisa Kudrow.

Por exemplo. Mesmo o Andrew Scott, que tem feito até alguns bons filmes recentemente, quer dizer, é um ator A-lister. Não é top. Então também tenho alguma curiosidade em ver como é que vão viver esta passagem, se é que vão todos procurar essa passagem, mas é quase inevitável que um Jeremy Allen White comece a ter projetos fortes no cinema. E ver como é que fazem essa transição, porque isso também vai dando indicação do estado da televisão, de como é que é vista, quer por atores, quer por realizadores.

E que efeitos é que tem.

Sim, e tenho essa curiosidade.

Eu, por exemplo, tenho curiosidade para ver o que é que segue para a Elizabeth Debicki, que fez de Diana, que é uma personagem muito marcante.

E que ganha um Emmy.

E que ganha um Emmy. E prontos, próximos capítulos.

Olha, meus amigos.

Eu gostava muito de ver o Rui Ana Mourinho a protagonizar uma série.

Sim, senhor.

Acho que ele daria um bom tecnista.

Vou pedir aqui.

Uma novela em que era ele.

Não é uma novela.

Não, uma série. Pronto, ele e o Fabian Figueiredo.

Eu vou pedir.

Esse é o tipo do Bloco de Esquerda?

Sim. Só para terminar, eu vou tirar só uma pastilha para cortar esta frase do Rui Ana Mourinho, porque provavelmente vão usar como separador, aquelas coisas com imensa graça que se ouvem nas rádios. E agora temos que ir embora.

Adeus.

Desculpem lá. Final de mais um "PopUp", voltamos na próxima semana. Até lá.