Underworld

Barbara Barbara, we face a shining future

Há seis anos que Karl Hyde e Rick Smith não lançavam um disco novo. Em boa verdade, velocidade ou pressa não são palavras que caracterizem a produção da dupla britânica: em 36 anos de carreira (contando com o primeiro projeto conjunto, chamado Freur), este é apenas o nono álbum de estúdio dos Underworld. Podem não ter sido pioneiros mas foram, seguramente, uma banda que ajudou a definir e cimentar algumas franjas da eletrónica que conhecemos hoje, já que foram grandes impulsionadores da house music e derivados techno. A importância histórica foi devidamente detalhada neste artigo, a propósito da passagem do duo por Portugal no ano passado.

Barbara Barbara, we face a shining future (que título magnífico!) é mais um passo em frente numa carreira feita com firmeza, um disco onde talvez não se encontre a corrosão rítmica do clássico “Born Slippy .NUXX” (é difícil fugir deste exemplo, tamanho foi o impacto – serviu de banda sonora ao filme Trainspotting, de 1996), mas onde o duo arrepia caminho a fazer o que melhor sabe: eletrónica complexa e experimental, embrulhada num sentido estético raro. 36 anos depois, continuam na linha da frente. É por aí que brilha o futuro.

Primal Scream

Chaosmosis

Da mesma ilha mas dois anos mais novos (!) que os Underworld, a banda de Glasgow tem uma história musical diferente. Bobby Gillespie, o rosto e a voz do agora sexteto escocês, foi uma peça importante do movimento indie pop/rock dos anos 1980, levou a banda daí para os caminhos do garage rock e mais tarde para os ritmos de dança. Chaosmosis, o 11º álbum, tem isso tudo, como uma viagem por onde se veem paisagens familiares. Não é propriamente um exemplo de organização mas não chega a ser caótico, além do mais conta com convidadas modernaças (Sky Ferreira e as Haim) que lhe dão alguma cor. Falta-lhe alguns tons para ser um arco-íris completo, mas ainda assim vale o passeio.

Iggy Pop

Post Pop Depression

Ouvimos-lhe o nome e imaginamos imediatamente um tipo no palco em tronco nu e ligado a pilhas. Aos 68 anos de idade, o norte-americano Iggy Pop continua sem vergonha das rugas e com a voz afinada, gravou quase em segredo este 17º álbum, na companhia de Josh Homme e Dean Fertita (Queens of The Stone Age) e Matt Helders (Arctic Monkeys). Nota-se bem o dedo de Josh Homme na produção, o que não retira ao mestre-de-cerimónias o protagonismo nem tão pouco alivia a influência histórica, pelo contrário, há quem oiça neste disco reminiscências das colaborações passadas com David Bowie. Experimente, não são difíceis de encontrar.

Post Pop Depression vai ser apresentado em Portugal na edição deste ano do Super Bock Super Rock, mas a organização já fez saber que Iggy Pop vem a solo, sem Josh Homme.