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Vai nascer um centro de exposições de arte contemporânea no Parque de S. Roque, no Porto

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O Palacete Ramos Pinto / Calém do século XVIII vai ser reabilitado para acolher uma coleção de arte contemporânea com 500 obras de arte. Também deverão ser criados uma loja, um café e restaurante.

© Henrique Matos / D.R.

Autor
  • Sara Otto Coelho

A casa do Parque de S. Roque, no Porto, vai ser transformada em centro de exposições de arte contemporânea. O edifício do século XVIII vai ser reabilitado e as obras, que não terão custos para a Câmara Municipal do Porto (CMP), deverão estar concluídas em 2019. Nessa altura, o público vai poder ver ali peças de arte contemporânea de artistas como Julião Sarmento, Rui Chafes, Ana Jotta, Paulo Nozolino e Miroslav Balka. Também poderá ser construída uma loja, um café e um restaurante, afetos ao futuro centro.

O Parque de São Roque, também conhecido por Quinta da Lameira, é propriedade do município. Na reunião de Câmara desta terça-feira, os vereadores aprovaram, por unanimidade, a cedência à Associação Vivercidade, por um período de 15 anos, da casa com mais de mil metros quadrados e da área circundante, onde está localizado o miradouro, a gruta e dois fontanários.

Em troca, a Associação está obrigada a fazer as obras de restauro, consideradas por Rui Moreira fundamentais. “Ela está no limite da ruína. Alguns dos elementos mais importantes em termos arquitetónicos, se não forem recuperados imediatamente, entrarão em decadência irreversível. O jardim de inverno e os azulejos são magníficos e estão-se a perder”, disse.

“Devo dizer que esta é uma proposta que voto com muita satisfação”, afirmou Filipe Araújo, vereador com o pelouro do Ambiente. Chamando a atenção para a necessidade de dinamizar o parque e a zona oriental da cidade, “será com equipamentos deste género que teremos um parque usufruído pela população”. Rui Moreira, que também tem o pelouro da Cultura, disse que a intenção é que o centro de arte contemporânea se articule depois com o novo projeto do Matadouro.

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O labirinto e parte do jardim da Quinta da Lameira, vistos do ar. © www.facebook.com/AltaVistaDrone

Pedro Carvalho, da CDU, votou a favor, mas com a salvaguarda de que as zonas ao ar livre da zona azul, que englobam o protocolo, continuem acessíveis ao público em geral, sem que haja necessidade de pagar bilhete.

“É uma coleção de arte portuguesa fantástica”

A Quinta da Lameira foi propriedade da família Ramos Pinto e Calém, ligada ao vinho do Porto. Até que em 1979 a CMP adquiriu o terreno e, com o tempo, a casa foi-se degradando. A reabilitação do edifício deverá ter em conta a adequação à exposição das obras. São cerca de 500, de artistas portugueses como Julião Sarmento, Rui Chafes, Ana Jotta, Paulo Nozolino, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, e também internacionais, como Miroslav Balka, Monika Sosnowska, Pepe Espaliú e Jordi Colomer.

juliao sarmento

“Arroios, 25 Março 82, 1982”, de Julião Sarmento, atualmente em depósito na Fundação de Serralves, é uma das obras da coleção.

Todas as obras são propriedade de Pedro Torcato Álvares Ribeiro. Recentemente, foi estabelecida a Associação Vivercidade para que as duas partes pudessem celebrar um protocolo de comodato. Que, por sua vez, estabeleceu a parceria com a CMP. A curadoria das exposições é feita pela Associação. Além da exposição permanente, a parceria prevê exposições temporárias e outros eventos na Casa, bem como no Parque. “É uma coleção de arte portuguesa fantástica”, resumiu com entusiasmo Rui Moreira.

Para Manuel Pizarro, vereador da CMP e presidente do PS/Porto, é “magnífico” que se tenha conseguido uma solução para o espaço, ainda por cima “sem encargos para a câmara”. De facto, a parceria não refere valores, à exceção da renda anual que a Associação Vivercidade tem de pagar à autarquia. Dois mil euros por ano. Um valor simbólico, tendo em conta que a renda anual do espaço está avaliada em 42 mil euros. Um “custo de oportunidade”, lembrou o vereador do PSD Ricardo Almeida.

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