O presidente do Sporting diz que não ficou surpreendido por Jorge Jesus ter admitido esta semana que, dois meses depois de chegar ao clube, teve vontade de se ir embora. “Se isso é chocante, eu tenho de lhe dizer que cheguei ao Sporting e cinco minutos depois queria sair”, afirmou Bruno de Carvalho numa entrevista à SIC, na qual garantiu que o técnico está sintonizado com o presidente para alcançar os objetivos do Sporting.

“Não há dúvida nenhuma de que nós temos um plano traçado de médio e longo prazo. Há uma coisa que eu sei: este treinador não é um treinador para qualquer presidente”, disse o responsável leonino, numa referência indireta a Luís Filipe Vieira. “Não tenho dúvida nenhuma que com ele não podia planear a longo nem a médio prazo”, afirmou o presidente do Benfica em entrevista à TVI. “Possivelmente há presidentes que não conseguem estabelecer um projeto de médio e longo prazo com um treinador com o grau de exigência e o grau de profissionalismo dele”, acrescentou Bruno de Carvalho.

O presidente do Sporting aproveitou ainda a ocasião para elogiar Slimani e João Mário, que saíram recentemente do clube, referindo também que o mercado de transferência não teve grandes surpresas. “As coisas estavam mais ou menos previstas. Foi um mercado agitado, mas foi um mercado mais ou menos previsto”, disse Bruno de Carvalho, que salientou que, com as vendas do argelino e do internacional português, fez “os dois negócios melhores de sempre da História do Sporting”. E não houve ressentimentos, assegurou. Com João Mário diz ter uma “relação ótima” e, de Slimani, já ouviu a promessa de que regressará no fim da época para festejar o título de campeão nacional.

Também Adrien Silva, que acabou por ficar em Alvalade, mereceu palavras elogiosas do líder dos leões. “O Adrien está cem por cento empenhado, cem por cento focado”, disse, salientando que a pressão que o jogador sofreu foi elevada — mas que isso era “perfeitamente normal”. “Só quem não passa por estas fases não percebe. Eu tive de aprender bastante, sem dúvida nenhuma, sobre algumas realidades do futebol nestes últimos anos. Isto é uma fase muito complicada, e é sobretudo muito complicada quando nós temos várias pessoas a gravitar por volta dos atletas, a prometer-lhes mundos e fundos, não é fácil para um ser humano…”

Bruno de Carvalho voltou, uma vez mais, a defender a necessidade de mudanças rápidas e profundas no futebol português. “Agora já é politicamente correto ser-se a favor do vídeo-árbitro, mas fui gozado durante muito tempo, que era um demagogo, que era impossível, que nada resultava”, lembrou. O dirigente sportinguista criticou o poder nas mãos dos observadores que atribuem notas aos árbitros dos jogos, referindo que podem decidir se um árbitro recebe 500 ou 5.000 euros por jogo. “Os árbitros têm de estar de cabeça limpa, há que dar-lhes condições para que possam ir para o campo fazer a melhor arbitragem que podem fazer”, sublinhou.