Pinguins famintos foram os grandes inspiradores de uma nova maneira de promover segurança, organização e de evitar falhas no navegador de bordo dos carros inteligentes, dá conta a BBC. A ferramenta baseia-se na forma como os animais procuram comida e está a ser desenvolvida para testar diferentes técnicas de organizar o software do carro, visando a eficácia e segurança da mesma maneira que os pinguins procuram fontes de alimento. “Os engenheiros viram-se muitas vezes para a natureza para encontrarem boas soluções para problemas complicados”, afirma Yiannis Papadopoulos, professor e cientista da Universidade de Hull, no Reino Unido, e um dos responsáveis pelo desenvolvimento deste sistema baseado nos pinguins.

“Os pinguins são aves sociais e vivem em colónias que, muitas vezes, chegam às centenas de milhar de aves. Isto levanta a questão de como é que eles conseguem sustentar este tipo de sociedade, dado que precisam de uma grande quantidade de alimentos”, refere Papadopoulos. “Tem de haver alguma coisa especial na maneira como eles procuram comida”, salienta o cientista, dizendo ainda que a evolução de muitos animais, incluindo pinguins, já serviu para descartar más soluções e hipóteses em engenharia de software.

Os pinguins são conhecidos também pela boa capacidade de coordenação, o que ajuda na organização das colónias em busca de comida e na otimização da quantidade de energia necessária. O investigador vê nestas caraterísticas uma mais valia para o desenvolvimento tecnológico dos carros. “Eles procuram alimento e atuam em grupos, sincronizando os seus mergulhos de forma a conseguir caçar os peixes da melhor forma. Têm ainda a capacidade de comunicar através de vocalizações que lhes permitem trocar informação e saber onde estão as maiores reservas de comida”, explica Yiannis Papadopoulos.

“Esta solução tem elementos que podem ser utilizados para resolver outros problemas, como determinar a integridade dos componentes essenciais para alcançar os requisitos para a segurança de um carro moderno”, revela. Integridade, neste caso, significa a garantia de que o software faz o que se pretende, lida bem com os dados e não induz em erros ou acidentes, refere ainda.

Segundo explica o cientista, o inovador sistema inspirado nestas criaturas ajudou também na investigação de melhores resultados na relação preço/qualidade do software. Já foi testado manualmente por engenheiros mecânicos, mas o criador Papadopoulos crê que poderão estar ainda por descobrir novas funcionalidades do aparelho.