Como está agora a criança que transplantou as duas mãos?

Zion Harvey foi a primeira criança a submeter-se a um transplante de duas mãos e já conseguiu realizar o seu sonho de segurar um taco de basebol.

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Os especialistas envolvidos declaram que o transplante de Zion foi um sucesso e afirmam que outras crianças podem vir a beneficiar do conhecimento adquirido neste caso

Os especialistas envolvidos declaram que o transplante de Zion foi um sucesso e afirmam que outras crianças podem vir a beneficiar do conhecimento adquirido neste caso

Zion Harvey ganhou um lugar na história da medicina. Em 2015, submeteu-se a uma operação cirúrgica que envolveu quatro equipas de médicos, que trabalharam ao longo de quase 11 horas. Depois desta operação, o menino de oito anos tornou-se na primeira criança a receber um transplante de duas mãos.

Zion perdeu as duas mãos e os dois pés depois de ter sofrido uma septicemia. Agora, dois anos depois da cirurgia, recuperou grande parte da sua independência e graças à terapia que recebe diariamente poderá continuar a aperfeiçoar as suas capacidades.

Antes de ser submetido a esta intervenção cirúrgica, não era capaz de se vestir, alimentar ou de lavar. Zion confessou aos médicos que o seu sonho era poder segurar um taco de basebol.

Em 2008, com apenas dois anos de idade, Zion desenvolveu septicemia, uma infeção que atacou todo o seu corpo e o levou a perder as duas mãos e os dois pés. // Children’s hospital of Philadelphia

Aqui está uma parte da minha vida que estava desaparecida. Agora, a minha vida está completa”, disse Zion depois da cirurgia, citado pelo Telegraph.

No primeiro relatório médico, publicado na quarta-feira, os especialistas envolvidos declaram que o transplante de Zion foi um sucesso e afirmam que outras crianças podem vir a beneficiar do conhecimento adquirido neste caso.

Ele é capaz de escrever, alimentar-se e tomar banho, veste-se de forma mais independente e eficiente do que fazia antes do transplante”, escreve a equipa do Hospital Pediátrico da Filadélfia.

Em 2012, Zion tinha seis anos e foi levado da sua casa, em Baltimore, para ser visto pelo Dr. Scott Kozin, o cirurgião-chefe do Hospital Pediátrico de Filadélfia. // Children’s hospital of Philadelphia

O líder de uma das equipas envolvidas no processo de Zion, Scott Levin, elogiou a coragem de Zion.

Nunca o vi chorar. Nunca o vi a não querer fazer a sua terapia. Ele é um ser humano notável. Ele tem tanta coragem e determinação que nos inspira a todos”, disse o médico citado pelo The Guardian.

Porém, o médico não deixa de referir as dificuldades mentais e físicas pelas quais Zion teve de passar. A criança foi sujeita a muitas sessões de fisioterapia e terapia ocupacional, que o ajudaram a ajustar-se aos novos membros, não descuidando do acompanhamento psicológico que o ajudaram a recuperar mentalmente.

Mas há sempre um risco associado a operações de transplante, já que o corpo pode rejeitar os novos órgãos. Desde cirurgia, o organismo de Zion “sofreu oito rejeições das mãos, incluindo episódios graves durante o quarto e o sétimo mês”. Os casos foram revertidos com “drogas de imunossupressão, que não afetaram a função das mãos da criança”.

Ainda hoje, ele é medicado com quatro medicamentos imunossupressores, que aumentam as probabilidades do seu corpo continuar a tolerar os novas membros.

Este procedimento extremamente raro, também é conhecido como Alotransplante Composto Vascularizado (VCA), e é realizado apenas por algumas equipas cirúrgicas, em todo o mundo. // Children’s hospital of Philadelphia

A evolução de Zion

Poucos dias depois da cirurgia, a criança conseguiu mover, pela primeira vez, os dedos. Passados seis meses, conseguia mover os músculos da mão, sendo capaz de agarrar num lápis de cor e usar uma tesoura, segundo os médicos citados pelo Telegraph.

Um ano depois, em julho de 2016, Zion conseguiu, finalmente, realizar o seu sonho e agarrou um taco de basebol, usando ambas as mãos.

Durante os 18 meses que passaram desde o transplante, Zion foi sujeito a diversas avaliações sobre a evolução das suas funções motoras. // Children’s hospital of Philadelphia

Apesar de todos os contratempos que Zion teve de enfrentar durante o processo de recuperação, a médica Sandra Amaral disse que “passados 18 meses, a criança é independente e consegue realizar as atividades típicas do dia a dia”.

Os resultados funcionais são positivos e o rapaz está a beneficiar do transplante, que tem sido muito exigente para si e para a sua família”, disse a dra. Amaral.

Veja o vídeo para conhecer mais sobre a emocionante história de Zion:

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