Que dia! Frederico Morais ainda mal estava restabelecido das emoções de ontem, onde conseguiu derrubar na quarta ronda do Open J-Bay o tricampeão mundial Mick Fanning e o campeão em título, John John Florence, e viveu esta quarta-feira um dia histórico, com a passagem pela primeira vez às meias-finais de uma etapa do Circuito Mundial de surf.

Ontem, o português referia que “tinha sido o melhor heat da vida”. Hoje, admitiu que se emocionou. Mas enquanto acenava com um sorriso quase envergonhado aos fãs que o saudavam durante a flash interview à WSL, lá foi explicando com a maior das tranquilidades as sensações que viveu neste dia atípico que, para ele, começou com a passagem da prancha para o barco pouco antes da sua bateria por causa de um tubarão.

Histórico: Frederico Morais volta a derrotar campeão, apura-se para as meias de J-Bay e consegue a primeira nota 10 no Circuito Mundial

“Como afetou a questão do tubarão? Sou sincero, odeio tubarões e não temos de lidar com isso em Portugal. O Dog [n.d.r. Richard Marsh, o treinador australiano] ainda agora me estava a dizer que achava que não ia sair do barco mas todos disseram que estava bem, fomos surfar e concentrei-me na prova“, admitiu a propósito do “incidente” que colocou de novo um tubarão na zona de prova quando Mick Fanning estava em ação (sendo que agora, ao contrário do que se passou na final de 2015 em Jeffreys Bay, não houve qualquer perigo ou tentativa de ataque).

O discurso de Kikas é mesmo assim, com tanto de simples como de puro e eficaz. Como o seu estilo de surf.

“Hoje o mar estava mesmo divertido… Tivemos essa aventura com um tubarão logo no início mas foi fantástico, controlaram bem a situação. Têm sido grandes baterias, desta vez o John John colocou-me encostado às cordas até à última mas usei bem a prioridade que tinha na parte final. Adoro grandes desafios e este heat foi um grande desafio, com notas de nove para cima. Ele esteve por cima na maioria do tempo mas consegui recuperar bem. Foi muito difícil mas adorei”, salientou a propósito de uma grande recuperação que lhe valeu um 9.77 e um 10 nos últimos seis minutos, quando estava a precisar de uma combinação para ganhar (ia com 8.17 e 8.23).

“Num dia como este, contra o campeão e o melhor surfista da atualidade, na minha opinião, é uma grande emoção…”, concluiu, realçando também a vontade de ser considerado o rookie do ano.

“Diria que foi um heat perfeito, só faltou outro 10. Foi muito renhido, é sempre assim com o John John, no Havai, em Portugal, aqui… Nos últimos minutos consegui virar e fazer um 10. É inesquecível. Agora é continuar a focar e a querer mais. O Gabriel [Medina] é um surfista muito competitivo mas quero sempre mais“, acrescentou depois, já a falar em português e projetando o próximo duelo com o brasileiro.

Terça-feira, vitória sobre Mick Fanning, campeão em 2007, 2009 e 2013, e John John Florence, campeão em 2016. Quarta-feira, novo triunfo sobre John John, atual campeão em título. Segue-se o brasileiro Gabriel Medina, campeão em 2014. Vamos acreditar que não há duas sem três para Frederico Morais na África do Sul. E que a final está à distância de meros 35 minutos.