Rádio Observador

Mário Soares (1924-2017)

Mário Soares homenageado um ano depois da sua morte. “Tenho saudades do meu pai. Tenho muitas saudades dos meus queridos pais”

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Mário Soares morreu a 7 de janeiro de 2017. Foi homenageado com uma cerimónia no Cemitério dos Prazeres, que contou com a presença dos filhos, Isabel e João, mas também com Costa e Marcelo.

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Na cerimónia de tributo ao antigo chefe de Estado que encheu a capela do Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, realizada um ano após a sua morte, estiveram presentes as mais altas figuras do Estado, familiares e “camaradas de Mário Soares”. Todos queriam homenagear o homem que muitos classificam como “o pai de democracia portuguesa”.

A cerimónia começou com Marcelo Rebelo de Sousa, Eduardo Ferro Rodrigues, António Costa e Fernando Medina, presidente da Câmara de Lisboa, a depositarem simbolicamente uma coroa de flores no jazigo onde estão os restos mortais do antigo Chefe de Estado. Um momento em que familiares e amigos se juntaram nuns breves minutos de silêncio. Os populares que conseguiram assistir a este momento mais íntimo, embora de longe, não quiseram deixar de prestar uma homenagem ao ex-Presidente da República.

Seguiram depois para a capela do Cemitério dos Prazeres onde foram feitos os discursos, incluindo os dos filhos, Isabel e João Soares. A capela do cemitério foi pequena para as centenas de pessoas que queriam assistir à cerimónia. Muitos foram impossibilitados de entrar, tendo sido colocadas colunas no exterior.

João Soares fez questão de agradecer toda a dedicação à organização das cerimónias fúnebres do seu pai, classificando-as como a “cerimónia do Adeus”.

“O meu pai merece — e eu sei que sou suspeito ao dizer isto — pela sua coragem, visão, cultura, serenidade, pelo seu amor a Portugal e aos portugueses, o lugar que tem na história da nossa pátria”, disse o ex-presidente da Câmara de Lisboa num discurso de cerca de dez minutos. Terminou, de cabeça em baixo, declarando emocionado: “Tenho saudades do meu pai. Tenho muitas saudades dos meus queridos pais”.

Isabel Soares, por seu lado, diz terem sido cerimónias “únicas e carregadas de simbolismo e emoção”. Também visivelmente emocionada, continuou: “O cortejo fúnebre, saindo naquela manhã fria, da nossa casa do Campo Grande, passando pelo colégio [Moderno] e atravessando Lisboa, passando pela Praça do Comércio, com o Tejo em fundo, naquele dia de sol, até aos claustros dos Jerónimos… foi de uma trágica beleza”.

Isabel Soares, filha de Mário Soares, quando terminou o seu discurso estava visivelmente emocionada. (JOÃO PORFÍRO/OBSERVADOR)

Marcelo Rebelo de Sousa, defendeu que Mário Soares invoca Portugal a não trocar “o sonho pelo acomodamento” e a lutar por “mais liberdade, mais igualdade, mais democracia e mais Europa dos europeus” — no que foi visto pelos analistas políticos como um recado para o Governo de António Costa.

O Presidente da República descreveu o testemunho de Mário Soares como “a liberdade sem peias, a justiça sem delongas, a democracia sem tergiversações, a solidariedade sem guetos, a proximidade sem complexos, travão de messianismos, sebastianismos e providencialismos, a Europa sem medo dos europeus, o mundo sem guerras e opressões”.

Na presença do primeiro-ministro, do presidente da Assembleia da República e dos filhos e netos de Mário Soares, Marcelo Rebelo de Sousa questionou: “É um sonho utópico, é um desafio impossível, é um programa inviável?”.

O primeiro-ministro e secretário-geral do Partido Socialista (PS), considerou que, a mais justa homenagem a Mário Soares, é continuar o seu combate por um Portugal melhor e que esse desígnio é cumprido diariamente honrando as suas lutas.

Perante a família de Mário Soares, o Presidente da República e o presidente da Assembleia da República, António Costa acrescentou: “Sempre que promovemos a liberdade e a cultura, homenageamos Mário Soares. Sempre que nos batemos por uma Europa mais solidária, homenageamos Mário Soares”.

“Sempre que lutamos por um mundo de paz e de progresso, homenageamos Mário Soares. E o nosso dever é todos os dias homenagearmos Mário Soares. Republicano, laico e socialista, assim se disse e assim se quis. E podemos acrescentar: humanista, universalista, português, europeu e cidadão do mundo”, completou.

No fim dos discursos, a pedido de Marcelo Rebelo de Sousa, a audiência cantou o hino nacional de pé e sem orquestra.

Foi, este domingo, também inaugurada uma exposição na galeria de exposições temporárias da capela do cemitério a exposição “A cerimónia do Adeus, o funeral de Estado de Mário Soares visto pelos fotógrafos”. Esta exposição junta 48 fotografias de 48 fotógrafos e fotojornalistas que cobriram todas as cerimónias fúnebres de Mário Soares.

Veja as fotografias da cerimónia na fotogaleria acima.

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