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O novo presidente do PSD reúne esta terça-feira com a Comissão Política Permanente (a cúpula do partido) e com a Comissão Política Nacional, às 15h30, mas não convocou o líder parlamentar do PSD, Hugo Soares. O presidente do grupo parlamentar tem assento em ambos os órgãos, segundo os estatutos do PSD. Da mesma forma que não o chamou ao palco no fim do congresso, não o convocou para as primeiras reuniões da cúpula do partido.

Uma fonte oficial de Rui Rio explicou ao Observador que “não faz sentido” convidar o líder parlamentar, uma vez que estamos “numa fase de transição” e já está “assumido outro candidato”. Já Hugo Soares, quando contactado pelo Observador, não quis comentar o assunto, mas garantiu: “Claro que estou em plenitude de funções”.

Hugo Soares disse desconhecer a existência das reuniões até ser contactado pelo Observador e até lembrou que tem conferência de líderes às 16h00, onde representa o Grupo Parlamentar do PSD. Ou seja: enquanto Hugo Soares representava o partido na Assembleia da República, Rui Rio reunia os órgãos do PSD sem lhe reconhecer institucionalmente esse direito. Alguns deputados contactados pelo Observador, incluindo um que apoiou Rui Rio, estão indignados com esta situação, pois dizem que esta é “uma desconsideração do grupo parlamentar“.

A eleição para o novo líder parlamentar é na quinta-feira, dia 22, mas o resultado ainda é incerto, por haver um risco de Fernando Negrão ter muitos votos em branco e poder ver a sua legitimidade questionada. Até Pedro Santana Lopes já apelou hoje, em declarações ao Observador, para que haja uma votação “expressiva” no seu antigo apoiante para a liderança do partido.

“Faço um apelo a uma votação expressiva em Negrão”, diz Santana ao Observador

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Já no Congresso, pela primeira vez na história, o líder parlamentar não foi chamado ao palco, mesmo sendo membro por direito da Comissão Permanente Nacional e da Comissão Política. Os estatutos do PSD são claros no seu artigo 27º quanto à Comissão Permanente Nacional:

“Secção IV – Comissão Permanente Nacional

Artigo 27o
(Natureza e Composição)

1. A Comissão Permanente Nacional é o órgão que assegura, sem solução de continuidade, a representação política do Partido no âmbito da competência da Comissão Política Nacional.
2. Compõem a Comissão Permanente o Presidente e os Vice-Presidentes da Comissão Política Nacional, o Presidente do Grupo Parlamentar e o Secretário-Geral.”

Ora, Hugo Soares terá sido o único a não ser convocado. O mesmo acontece quanto à Comissão Política Nacional, neste caso no artigo 22º:

“Artigo 22º
(Composição e Eleição)

1- Compõem a Comissão Política Nacional:

a) O Presidente;

b) Quatro a seis Vice-Presidentes, o Secretário-Geral e oito a dez Vogais;

c) O Presidente do Grupo Parlamentar;

d) Os Presidentes das Comissões Políticas Regionais dos Açores e da Madeira ou um representante de cada uma delas, pelas mesmas designado, caso os respetivos Presidentes façam parte, por outro título, da CPN;

e) O Presidente e outro dirigente nacional da JSD;

f) O Secretário-Geral dos TSD; g) O Presidente dos ASD.

Para este órgão, Hugo Soares também não terá sido convidado. Quanto à não subida ao palco no Congresso, os apoiantes de Rio justificaram que isso aconteceu por o presidente do Grupo Parlamentar estar de saída e ser “demissionário”. No entanto, não foi o único titular de um órgão autónomo do partido com um líder de saída e eleições marcadas. Simão Ribeiro, líder da JSD, também já tem eleições convocadas e já há candidatos ao seu lugar e subiu ao palco.

No site do PSD, na composição da Comissão Permanente Nacional — único local público onde constam os nomes — o presidente do Grupo Parlamentar também é ignorado.

Comissão Permanente, de acordo com o site do PSD

Esta atitude para com Hugo Soares pode complicar as contas de Fernando Negrão, que já estava a ter dificuldades em ter a bancada unida, na eleição para líder parlamentar na próxima quinta-feira.