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Incidência de cancro aumenta em Portugal, mas mortalidade está “estacionária”

A incidência de cancro em Portugal tem aumentado "três a quatro por cento ao ano" e, em 2017, foram registados cerca de "50 mil novos casos", mas a mortalidade está "relativamente estacionária".

André Kosters/LUSA

Autor
  • Agência Lusa

A incidência de cancro em Portugal tem aumentado “três a quatro por cento ao ano” e, em 2017, foram registados cerca de “50 mil novos casos”, mas a mortalidade está “relativamente estacionária”, segundo o oncologista Miguel Barbosa. “Em 2017, tivemos praticamente 50 mil novos casos de cancro no país. A incidência da doença tem vindo a aumentar três a quatro por cento ao ano”, mas a mortalidade “tem estado relativamente estacionária ou com um aumento muito ligeiro”, assinalou esta quarta-feira o diretor do serviço de Oncologia do Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro.

O médico, que faz parte da organização dos Encontros da Primavera em Oncologia, que vão decorrer em Évora, entre quinta-feira e sábado, disse à agência Lusa que estes números mostram que, apesar de existirem “cada vez mais novos casos de cancro”, os serviços estão “a tratar cada vez melhor” os doentes. “Felizmente, é por tratarmos bem os doentes que estes se vão acumulando”, mas o que acontece também é que “os serviços clínicos por esse país fora estão no limite”, disse.

“Praticamente todos os serviços de oncologia ou que tratam o doente oncológico” registam “um aumento do número de doentes, porque recebem cada vez mais casos novos e conservam cada vez mais os doentes que têm”, graças ao “sucesso nos tratamentos”, assinalou. Perante esta realidade e considerando que, para 2030, se estima que Portugal possa chegar aos “60 mil novos casos de cancro, com a mesma mortalidade”, Miguel Barbosa defendeu que é preciso “acautelar que os serviços clínicos estejam capazes de responder a esta necessidade”.

“Os diagnósticos de cancro irão aumentar”, devido ao envelhecimento populacional, pelo que “as necessidades assistenciais”, ao nível “de profissionais, mas também de condições dos serviços, serão maiores”, afirmou. Mas, realçou o oncologista, Portugal tem tido um investimento “muito limitado” na Saúde, devido “às condições financeiras” dos últimos anos, e é necessário um aumento.

“Não tem sido o suficiente. Claramente, precisamos de mais investimento, em termos de profissionais de Saúde dedicados a esta área, mas também em termos de espaços físicos para atendermos os doentes com toda a consideração que merecem”, reclamou. A atualidade do cancro em Portugal e os últimos avanços no diagnóstico e tratamento da doença vão ser discutidos em Évora, numa unidade hoteleira da cidade, nos Encontros da Primavera, que são o maior evento nacional na área da oncologia.

Médicos, farmacêuticos, enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais de Saúde da área oncológica participam na iniciativa, subordinada ao tema “Da Evidência à Clínica”. Atualmente, explicou Miguel Barbosa, os médicos estão “rodeados por sistemas de informação” que visam “facilitar a circulação de informação clínica dos doentes para ajudar num melhor tratamento, mas que também contribuem para o afastamento do profissional de Saúde em relação ao doente”.

“Por vezes, passamos tanto ou mais tempo a olhar para o computador do que, propriamente, a atender às necessidades específicas daquele doente”, alertou o membro da comissão organizadora. A necessidade de as associações de doentes “serem fortes” e terem uma “voz ativa” no tratamento das pessoas com doença oncológica, para garantir um melhor tratamento e a defesa de terapêuticas inovadoras que “podem fazer a diferença”, vai ser outro dos temas em debate, indicou Miguel Barbosa.

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