A Câmara Municipal de Lisboa (CML) já concluiu a investigação aos estragos da Estátua Equestre de D.José I, no Terreiro do Paço: foi partido apenas um dedo da figura humana durante a transmissão do jogo de Portugal frente à Espanha na passada sexta-feira. Os restantes três dedos já estavam em falta antes da transmissão, confirmou fonte da CML ao Observador.

Antes, já existiam elementos em falta. Deteriorou-se devido ao facto de os adeptos terem subido à estátua”, confirmou a mesma fonte.

Como não havia proteções instaladas à volta da estátua, que fizessem de barreira, dezenas de adeptos subiram e apoiaram-se na figura para verem o jogo da seleção nacional, que estava a ser transmitido num ecrã gigante. Acabaram por partir um dedo da mão direita da figura humana, que se encontra na zona lateral da estátua e por baixo da figura de D. José I. A figura masculina, que simboliza o Triunfo, conduz um cavalo que, por sua vez, representa a Europa.

[Veja as imagens dos estragos na estátua D.José I]

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Em perguntas enviadas pelo Observador por email, a CML recusou explicar porque não foram colocadas barreiras de segurança, antes da transmissão do jogo de Portugal frente à Espanha, para evitar que os adeptos subissem à estátua.

Depois do que aconteceu na sexta-feira, a Polícia Municipal instalou uma proteção em redor da estátua de D. José I, com grades de ferro. O Observador tentou, sem sucesso, contactar a Polícia Municipal para esclarecer se as grades foram instaladas na sequência dos estragos.

A  barreira de segurança foi instalada a tempo do jogo Portugal-Marrocos, desta quarta-feira

Estátua só vai ser restaurada se dedo aparecer

Não está previsto nenhum restauro da estátua de D.José I, confirmou fonte da CML ao Observador. Só deverá existir alguma intervenção, caso o dedo que está em falta apareça. Se não aparecer, “não será colocado qualquer elemento sob pena de adulteração da peça”, disse a mesma fonte, acrescento que um restauro da figura levantaria “sérias questões éticas e deontológicas”.

A estátua ficou irremediavelmente alterada no seu inestimável valor histórico-patrimonial”, lamentou a mesma fonte.

A estátua de D. José I, com mais de 240 anos, foi restaurada há cinco anos. Cerca de 490 mil euros foram investidos nos trabalhos de conservação e restauro da estátua, que duraram cerca de um ano e terminaram em 2013. O processo foi gerido pela empresa Nova Conservação e teve diferentes promotores, como a World Monuments Fund (uma organização não governamental internacional de preservação do património cultural mundial), a Direção Geral do Património Cultural e a Câmara Municipal de Lisboa, através da Direção Municipal de Cultura.