A futura diretora artística da Companha Nacional Bailado (CNB), Sofia Campos, disse esta terça-feira à agência Lusa que aceitou “o desafio” da tutela com “grande sentido de missão pública”, e pretende colocá-la “no lugar que lhe é merecido”. O Ministério da Cultura anunciou, na segunda-feira, a demissão do diretor artístico da CNB, Paulo Ribeiro, por “decisão pessoal”, e a sua substituição por Sofia Campos, a 1 de setembro.

“Fui convidada pela tutela e aceitei o desafio com grande sentido de responsabilidade, de compromisso e de missão pública, que é algo que me move muito para aceitar este convite”, disse, contactada pela Lusa. Sofia Campos exercia, desde janeiro de 2015, as funções de vogal do conselho de administração do Teatro Nacional D. Maria II, e substituirá Paulo Ribeiro, que já veio a público dizer que sai por falta de apoio financeiro e político.

Questionada sobre a saída de Paulo Ribeiro, a futura diretora escusou-se a comentar a situação porque “seria injusto para com a companhia”. “Fiquei surpreendida, mas muito contente com o convite, e espero dar o meu melhor”, disse a futura responsável, que é formada em Dança, pela Escola Superior de Dança, em Gestão das Artes na Cultura e na Educação, pela Escola Superior de Educação Jean Piaget, e tem um mestrado em Práticas Culturais para Municípios, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Não querendo entrar em pormenores sobre o que fará na quando quando entrar, salientou: “Este convite não é sobre mim, é sobre a CNB”. “É uma companhia com grandes profissionais, e com uma história de que se deve orgulhar, e para a qual eu espero realmente contribuir de uma forma o mais positiva possível” disse à Lusa Sofia Campos, que, de 2003 a 2004, foi diretora de produção e responsável de difusão na RE.AL, estrutura dirigida pelo coreógrafo João Fiadeiro.

Questionada sobre os eixos que irão pautar o seu trabalho na companhia, indicou que “existem eixos fundamentais que têm sido muito trabalhados, e que serão depurados quando iniciar funções”. Entre esses eixos, indicou a internacionalização e a cativação de novos públicos, mas sublinhou, sobretudo, o facto de “se tratar de uma companhia nacional”.

“Há um território imenso por onde a companhia deve ser apresentada”, defendeu. “São todas dimensões do trabalho de uma companhia como esta, que merece todo o respeito e dignidade”, declarou, acrescentando que pretende “colocar a companhia no lugar que lhe é merecido”. Depois de ter integrado as equipas de produção nos festivais Danças na Cidade, em 1997 e 2002, Sofia Campos regressou, em 2011, como diretora de produção, ao então Alkantara Festival.

Enquanto codirectora da Alkantara – Associação Cultural, assumiu de 2012 a 2014 as funções de administradora e assessora artística. Ao longo do seu percurso profissional, tem mantido contacto regular com diversos teatros e festivais nacionais e internacionais e colaborado com estruturas, artistas e projetos de diferentes áreas artísticas: dança, teatro, artes visuais, vídeo e cinema, ao nível da consultadoria de produção e gestão.

Lecionou Produção em Artes Performativas na Escola Superior de Dança, na Escola Superior de Tecnologias e Artes de Lisboa, na Restart e no CEM (Centro em Movimento).