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250 euros e 25 bolas que explicam o porquê de não interessar quem joga (a crónica do Boavista-Benfica)

Este artigo tem mais de 3 anos

Fejsa continua a ser Fejsa, Pizzi está mais Pizzi que nunca e depois há Gedson, o miúdo que manda no jogo do Benfica: meio-campo voltou a empurrar águias para a vitória na deslocação ao Bessa (2-0).

Pizzi celebra o segundo golo com Salvio e André Almeida num jogo em que Gedson voltou a estar em destaque
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Pizzi celebra o segundo golo com Salvio e André Almeida num jogo em que Gedson voltou a estar em destaque

AFP/Getty Images

Pizzi celebra o segundo golo com Salvio e André Almeida num jogo em que Gedson voltou a estar em destaque

AFP/Getty Images

Seferovic foi mais uma vez apontado esta semana à saída, desta feita aos italianos da Udinese, mas parece que essa possibilidade voltou a ficar pelo menos adiada. Uma coisa é certa: a forma como toda a situação do suíço tem sido gerida aponta para uma realidade onde o dianteiro que chegou a custo zero e deu nas vistas no arranque da última temporada é a quarta opção do ataque do Benfica. À frente do helvético encontram-se Jonas, Castillo e Ferreyra. Ou Castillo e Ferreyra, porque Jonas continua a não contar por questões físicas. Ou Ferreyra, porque Castillo também teve um problema muscular no gémeo.

Sabendo dessa realidade, e tendo a clara noção de que os primeiros encontros do argentino não foram propriamente a coisa mais conseguida do mundo, Rui Vitória deu a volta à questão dos avançados nomeando todos os jogadores que costumam participar nas ações ofensivas. Falou em Ferreyra, passou também por Seferovic, mas depois prosseguiu a lista e foi para Salvio, Cervi, Rafa, Zivkovic, Pizzi, Gedson Fernandes… Não fosse ser uma conferência de imprensa e haver uma viagem para fazer para o Norte, o técnico encarnado continuava a disparar nomes. Se fosse preciso, ia à equipa B e aos Sub-23. Mas as duas mensagens que aquela resposta trazia nas entrelinhas estavam passadas: por um lado, destacar que o “marcar golos” é muito mais do que ter alguém a empurrar a bola no toque final mas sim um trabalho apurado que tem de passar por muitos pés e cabeças; por outro, afastar qualquer tipo de fantasma ou pressão extra do argentino, uma das grandes apostas da época.

Quem se recorda do Ferreyra do Shakhtar Donetsk conseguia perceber que, valores à parte (o jogador acabava contrato e o novo vínculo com os encarnados, que acabou por circular na net, foi alvo de muita conversa), era uma boa contratação. O que, ao mesmo tempo, não invalida que tenha andado fora dela nos primeiros jogos oficiais pelos encarnados, não tanto pelos golos que não entravam mas sim pelas próprias movimentações descoordenadas face à habitual dinâmica da equipa. Uma questão de entrosamento que, esta noite, já funcionou melhor, tal como a própria qualidade ofensiva, sobretudo na segunda parte.

No entanto, o grande segredo do Benfica na presente temporada continua a ser o triângulo de meio-campo que parece ser das Bermudas, pela forma como esconde os pontos fortes das equipas adversárias potenciando também as suas debilidades. Aquele triângulo que mete um médio mais velho, um médio mais novo e um médio totalmente renovado. Fejsa continua a ser mais do mesmo: cola a equipa, faz subir linhas, é inteligente nas compensações, reina nos números de interceções e desarmes. Aliás, coincidência ou não – e arriscamos ir mais pela segunda –, o V. Guimarães só marcou os dois golos no 3-2 da primeira jornada quando o número 5 já tinha saído. Pizzi surge com números anormais para alguém que pise estes terrenos (e que igualam Eusébio, que também fez quatro ou mais golos nas duas rondas iniciais em 1972/73), mas é sobretudo na condição física, na disponibilidade mental e na capacidade de surgir sempre nos espaços entre linhas que se vão abrindo para finalizar que entronca a grande metamorfose. Depois, há Gedson. E todo um novo mundo que mudou a forma de jogar.

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Ficha de jogo

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Boavista-Benfica, 0-2

2.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Bessa, no Porto

Árbitro: Manuel Mota (AF Braga)

Boavista: Helton; Carraça, Raphael Silva, Neris, Talocha; Idris (Rafael Lopes, 70′), David Simão, Fábio Espinho (Rafael Costa, 54′); Rochinha, Falcone e Mateus (André Claro, 64′)

Suplentes não utilizados: Bracali, Sparagna, Edu Machado e Samu

Treinador: Jorge Simão

Benfica: Vlachodimos; André Almeida, Jardel, Rúben Dias, Grimaldo; Fejsa, Gedson Fernandes (Alfa Semedo, 81′), Pizzi; Salvio (Zivkovic, 74′), Cervi (João Félix, 87′) e Ferreyra

Suplentes não utilizados: Svilar, Conti, Rafa e Seferovic

Treinador: Rui Vitória

Golos: Ferreyra (35′) e Pizzi (62′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Fábio Espinho (39′), Gedson Fernandes (52′), Mateus (58′), Talocha (71′) e Rafael Costa (80′)

A importância do ‘8’ na equipa do Benfica, jogue com um ou dois avançados, já vem dos tempos pós-Aimar de Jorge Jesus. Pode ser um ‘8’ assumido, um único pilar à frente de Fejsa, ou um box-to-box com outras funções por ter alguém de características semelhantes a jogar mais perto. Exemplos não faltam. Esta temporada, Rui Vitória, que entretanto já conseguiu encontrar motores desconhecidos para aquela zona como Renato Sanches, Krovinovic, Zivkovic e o próprio Pizzi, arriscou em Gedson. Ou, como referiu em conferência, abriu a porta ao trabalho que é feito no Seixal, “uma das melhores formações”. E o jovem internacional nas camadas jovens, que se continuar com este momento arrisca chegar aos AA a breve prazo, ofereceu aquilo que às vezes faltava: capacidade para dar largura, intensidade sem bola, criação de desequilíbrios, qualidade de transição.

Com tudo isso, Salvio e Cervi (sobretudo Salvio, que está num grande momento) conseguem mais vezes jogar em 1×1 ou combinar em envolvimento com os laterais, Pizzi pode surgir de forma mais convicta nas zonas de finalização e o próprio avançado tem um caminho mais curto para chegar aos golos. É claro que, com Jonas, o Benfica será sempre melhor. Mas a verdade é que todas as dinâmicas ofensivas que o jovem motor encarnado consegue oferecer à equipa vão ganhando cada vez maior peso com o passar dos jogos. Gedson que, há sete anos, quando jogava em Frielas, custou 250 euros e 25 bolas…

Assim se explica uma vitória justa do Benfica no Bessa, um terreno sempre difícil por tradição. Uma vitória por 2-0 que, se não fosse o guarda-redes Helton Leite (uma boa surpresa, ou a única dos axadrezados), podia ter contornos mais pesados.

Curiosamente, até acabou por ser o Boavista a ter a primeira grande oportunidade do encontro, por sinal a única até ao apito final: boa arrancada de Carraça pela direita, cruzamento a atravessar toda a área dos encarnados e desvio ao segundo poste de Falcone, completamente isolado, ao lado da baliza de Vlachodimos (3′). Pouco depois, André Almeida fez aquele que seria o único remate enquadrado com a baliza na primeira meia hora, com defesa apertada de Helton (7′), mas foi naquele primeiro lance que os visitados poderiam ter escrito uma história diferente. Falharam essa chance, falharam em tudo o resto.

[Clique nas imagens para ver os principais lances do Boavista-Benfica]

Grimaldo também arriscava os remates. Um, dois, ambos ao lado e sem perigo. O Benfica não estava nessa fase com a qualidade que atingiria mais tarde, mas era sobretudo naquilo que o Boavista não conseguia fazer que estava a chave do jogo: David Simão e Fábio Espinho, unidades de meio-campo que são fortes nas transições e têm qualidade de passe e finalização, passaram ao lado da partida. O resto viria depois – uma série de erros fora do comum da defesa dos axadrezados, que acabou por facilitar quando não podia e com isso arrumou com a possibilidade de repetir o feito do ano passado, quando conseguiram ganhar às águias por 2-1 naquele que foi também o primeiro jogo de Jorge Simão no comando da equipa.

No primeiro mais gritante, Ferreyra aproveitou: o argentino vestiu-se de Carraça, aproveitou a apatia do lateral direito para tirar a bola da zona de perigo, ganhou mais uma dividida quando Idris já se metia pelo meio e rematou colocado sem hipóteses para Helton Leite. Aos 35′, o Benfica teve o mérito de desbloquear o jogo (e a exibição) aproveitando o demérito de um setor que costuma ser dos mais fiáveis no Boavista. E foi assim que se atingiu o intervalo, com uma margem mínima que podia ser mais pesada caso Salvio, que recebeu a bola nas costas da defesa contrária perante a apatia total na marcação de um livre por Pizzi ainda no seu meio-campo, tivesse conseguido superar a muralha que estava na baliza visitada.

O Benfica já tinha acabado a primeira parte por cima e começou a segunda ainda melhor, com um “abafo” de cinco minutos onde o Boavista mal saiu do seu meio-campo e onde Salvio, numa entrada de rompante após cruzamento de Cervi, voltou a não conseguir superar Helton Leite (48′). Houve fase mais quezilentas, entradas mais duras (metade dos amarelos foram após faltas sobre Gedson), mas o segundo golo acabou com o jogo: mais um erro em zona de proibida de Neris, arrancada de Salvio pela direita de mota, cruzamento atrasado para a carreira de tiro e remate na passada de Pizzi para o 2-0 (62′).

Entre um desvio de Talocha que por pouco não virou autogolo (65′) e mais uma bola em que o Benfica surgiu com um jogador isolado na cara do golo (90′), Helton Leite continuou a ser a grande figura do jogo, enquanto Vlachodimos, além de um desvio n sequência de um livre lateral que saiu com um efeito estranho, pouco ou nenhum trabalho teve. Os encarnados, que andam a jogar a meio da semana na qualificação para a Champions e têm para a semana o primeiro jogo grande da época na receção ao Sporting, geriram depois os tempos e ritmos de jogo como quiseram, sem que o Boavista, mesmo com as substituições, colocasse esse domínio em causa. E neste jogo em que mais um miúdo da formação jogou os primeiros minutos na equipa principal (João Félix), o grande momento acabou por surgir aos 81′ – Gedson Fernandes saiu e foi ovacionado de pé.

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