Literatura

Revista “Colóquio/Letras” publica três cartas inéditas de Jorge de Sena

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No ano em que se celebra o centenário do nascimento do escritor e crítico literário, a revista "Colóquio/Letras" apresenta, pela primeira vez, três cartas enviadas por Jorge de Sena a Gastão Cruz.

O autor de "Sinais de Fogo" nasceu a 2 de novembro de 1919

Wikimedia Commons

O novo número da revista literária Colóquio/Letras, que chega agora em janeiro ao número 200, é dedicado a Jorge de Sena, nome grande da cultura portuguesa, poeta, ficcionista e dramaturgo, cujo 100º aniversário se assinala em 2019. São vários os artigos e documentos apresentados na revista publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian, que traz textos assinados por Ida Alves, Mário Avelar ou António Ramalho Eanes. Entre eles destacam-se três cartas inéditas enviadas por Sena ao poeta algarvio Gastão Cruz, que conheceu na sequência de uma palestra que deu no salão da Sociedade Nacional de Belas Artes, em Lisboa, em janeiro de 1969.

O encontro entre os dois escritores é relatado pelo próprio Gastão Cruz na nota que antecede a transcrição das três missivas. Nesta, o poeta, que frequentava então a Faculdade de Letras de Lisboa, conta como Sena foi ouvido e apupado por uma pequena multidão que esperava ouvir “algum discurso erudito ou surpreendente” mas que, em vez disso, ouviu o escritor discorrer “sobre a vida dos emigrantes e a sua experiência pessoal nessa condição, com algum humor e boa-disposição”. Cruz foi dos poucos que, no final da conferência nas Belas Artes, decidiu levantar o braço e colocar algumas questões. Estas terão impressionado Sena, que lhe escreveu um cartão dois dias depois. O cartão levou a um encontro junto ao rio Tejo, e o encontro a uma troca de correspondência, com Sena já nos Estados Unidos da América.

As três cartas que a Colóquio/Letras agora divulga foram escritas a 20 de novembro de 1969, 18 de janeiro de 1970 e 7 de outubro de 1971. Nelas, Sena aborda questões como “a manutenção de certos autores no projecto de reedição de Líricas Portuguesas III” e faz uma análise de “passagens de poemas de Carlos de Oliveira, Herberto Helder e Ruy Belo, procurando demonstrar que não se concretiza neles”, apontou Cruz, que admitiu na sua nota que “a leitura de Fidelidade, em 1958,” foi, para si, “um dos grandes momentos de revelação daquilo a que Ruy Belo chamaria ‘poesia nova’”.

A par da publicação do novo número, a Colóquio/Letras reuniu um grupo de especialistas, portugueses e brasileiros, que se vão encontrar no dia 22 de janeiro, próxima terça-feira, no Auditório 3 da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, para repensar a “obra multifacetada” de Sena”à luz do século XXI”. Com entrada livre, a Jornada Jorge de Sena vai arrancar pelas 10h, com uma intervenção do diretor da revista literária, Nuno Júdice, que falará sobre o autor de Sinais de Fogo na perspetiva de “uma poética total”. A fechar estarão Helder Macedo e a filha do escritor, Isabel de Sena. O programa completo está disponível aqui.

Colóquio/Letras chega ao número 200

A celebração do centenário do nascimento de Jorge de Sena coincide com a publicação do número 200 da Colóquio/Letras. A revista literária foi criada em 1979, a par com a Colóquio/Artes, duas publicações que surgiram da da cisão da Colóquio, Revista de Artes e Letras. Inicialmente dirigida por Hernâni Cidade e Jacinto Prado Coelho, a Colóquio/Letras começou por ser publicada semestralmente, passando depois a ter uma periodicidade trimestral.

Na nota introdutória do seu primeiro número, a Colóquio/Letras apresentava-se como uma revista que fazia falta. O seu objetivo era “preencher uma lacuna que se tornava sensível em Portugal” — a inexistência de uma “revista especificamente literária – com textos de poesia e de ficção, mas, na maior parte, destinada ao estudo de modo não puramente erudito, não polémico, não meramente divulgativo, antes serenamente reflexivo, problemático, ensaístico”. Pretendia ser uma “revista viva”, onde o passado e o presente fosse “encarado à luz de uma problemática de hoje”, com análises e interpretações feitas “segundo perspetivas atuais, com métodos atuais”, com qualidade, tolerância e respeito mútuo, era explicado na nota introdutória do primeiro número.

Em 1984, a direção da revista literária passou para David Mourão-Ferreira, ao qual se seguiu, entre 1996 e 2008, Joana Varela. Desde 2009 que é dirigida por Nuno Júdice, e atualmente a Colóquio/Letras é publicada quadrimestralmente. No editorial do mais recente número, o atual diretor destacou o “inestimável serviço à divulgação da cultura e da literatura portuguesas e lusófonas” que a Colóquio/Letras tem vindo a prestar desde 1979. “Nos quase 50 anos da sua vida, e ao chegarmos a este número 200 — que importa destacar pelo caráter excecional, não só da longevidade, mas acima de tudo por se manter uma referência nos estudos de literatura —, é simbólico o ato de homenagear Jorge de Sena, na celebração do seu centenário”, afirmou Júdice.

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