Óscares

Crónica. Os Óscares do Presidente Marcelo

Já lá vão os tempos em que um filme dava uma cabazada aos outros na noite dos Óscares. Este ano, cuidou-se mais uma vez em fazer uma distribuição o mais abrangente possível, diz Eurico de Barros.

"Roma", de Alfonso Cuarón, ganhou três Óscares e transformou a Netflix, que o produziu, num dos principais vencedores da noite

Autor
  • Eurico de Barros

Sabem como o Presidente Marcelo Rebelo de Sousa está sempre a dizer, a propósito de tudo e mais alguma coisa, que é preciso haver “consensos” e “diálogo”, e que é necessário que as coisas sejam resolvidas a “contento de todas as partes”? Foi precisamente o que aconteceu nesta edição da entrega dos Óscares de Hollywood, onde tudo parece ter sido feito para satisfazer o máximo de capelinhas e melindrar o menos de sensibilidades possível, em que nenhum filme deu uma cabazada aos restantes como sucedia por vezes dantes, em que se se fartou de apelar aos melhores sentimentos e puxar pelos temas da moda nas agendas bem-pensantes (como aliás já acontecia em vários dos filmes em competição). Por isso, estes foram os Óscares do Presidente Marcelo. Ruturas e sobressaltos, nem vê-los.

É claro que raspando este verniz simpaticamente unificador aparece a realidade, e encontramos vencedores e vencidos. Como “Roma”, no primeiro caso, que teve três dos 10 Óscares a que concorria (dois deles, Fotografia e Realização, para Alfonso Cuarón, a primeira pessoa a ganhar ambos pelo mesmo filme), e sobretudo a Netflix, produtora da fita, que depois de triunfar no Festival de Veneza, entra pela porta principal de Hollywood; ou ainda “Bohemian Rhapsody”, com quatro estatuetas, incluindo a de Melhor Ator para Rami Malek.

No lado dos derrotados, aparecem “A Favorita”, de Yorgos Lanthimos, com uma vitória em dez indicações, mas ao menos merecidíssima, para Olivia Colman em Melhor Atriz, e “Vice”; de Adam McKay, que nem com a sua bojuda mochila política fez melhor do que o Óscar de Caracterização.

Numa cerimónia sem apresentador pela primeira vez em 30 anos (a última foi em 1989), insipidíssima, falha de sentido de humor e abundante em agitar de bandeiras de causas e de bonitas intenções, houve muitos Óscares para a “diversidade”, e a prudência salomónica e o caderno de encargos consensual levaram a que a melhor fita presente, “Roma”, de Alfonso Cuarón, ficasse com a estatueta de Melhor Realizador, enquanto que a de Filme ia para o mediano e muito demonstrativo “Green Book: Um Guia para a Vida” (teve mais dois prémios, Ator Secundário e Argumento Adaptado), que junta os confortáveis resultados de bilheteira, a capacidade de entretenimento, a execução de indústria e uma “mensagem” de tolerância, convivência racial e condenação dos preconceitos. Quanto apostam que é um dos favoritos do Presidente Marcelo?

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