As autoridades moçambicanas resgataram e reunificaram com as respetivas famílias quase 500 menores vítimas de uniões prematuras nos primeiros seis meses de 2026, sobretudo nas províncias da Zambézia e de Nampula.

De acordo com dados de um relatório do Governo com a execução de políticas sociais do primeiro semestre, a que a Lusa teve acesso esta segunda-feira, neste período foram “reunificadas às respetivas famílias 498 crianças vítimas de uniões prematuras, de um plano de 524”, correspondente a uma realização de 95% da meta definida.

Desse total, 135 menores foram reunificados na Zambézia, no centro, e 128 em Nampula, no norte. Entre outras províncias, ainda 84 casos em Manica, no centro, 43 em Inhambane e 41 em Maputo, no sul.

A Organização Não Governamental (ONG) Word Vision – Moçambique (WV-Moç) divulgou em 2025 que 907 crianças moçambicanas sofreram violência sexual e uniões prematuras no primeiro semestre desse ano, apelando ao “redobrar esforços” na proteção dos menores.

“Os dados vêm reforçar a necessidade e importância de se redobrarem os esforços ora em curso para a proteção da criança, sobretudo aquela em situação de vulnerabilidade extrema”, referia então aquela ONG, em comunicado, acrescentando que os dados foram recolhidos pela Linha Fala Criança (LFC), de apoio nestes casos.

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Os dados revelam ainda que no ranking das três províncias com maior índice de uniões prematuras constam a Zambézia, Cabo Delgado e Sofala.

Moçambique é o segundo país com mais casos de uniões prematuras na África austral, com 48% das raparigas a casarem antes dos 18 anos e 14% antes dos 15, igualmente segundo um relatório de 2025 da ONG Oxfam, que aponta ainda como o décimo país no mundo e o sétimo em África com as taxas mais elevadas destas uniões.

O estudo refere como causas para este cenário fatores como a pobreza, os desastres naturais e a insurgência armada no norte de Moçambique.