A YoungNetwork, o grupo que era responsável pela comunicação do Sporting, anunciou que vai processar a Bakertilly, a empresa que realizou a auditoria forense aos atos de gestão do clube de Alvalade entre 2013 e 2018, por incompetência técnica. A análise à gestão do clube durante a liderança de Bruno de Carvalho foi pedida ainda pela Comissão de Gestão encabeçada por Sousa Cintra que tomou conta dos desígnios leoninos no pós-destituição e pré-eleições.

O que salta à vista na auditoria forense ao Sporting: o contrato de Acuña, o milhão em notas em Alvalade e outro perdido no scouting

A Young começa por referir que a Bakertilly é detida por Paulo Galvão André, que foi vogal do Conselho Fiscal leonino durante o mandato de Godinho Lopes. Em comunicado, o grupo explica inicialmente que é “inaceitável” o facto de a Bakertilly ter errado no nome dos sócios da Young. “Como é que uma auditora se quer levar a sério se em três sócios só acerta num? Duas das pessoas citadas nunca foram sócias da empresa nem de nenhum subsidiária. A informação é pública. É um erro preguiçoso e inaceitável”, defende a empresa de comunicação, que depois acrescenta que “a auditora do vogal do tempo de Godinho Lopes acerta em apenas 5% das suas conclusões sobre a Young Network”, desejando, em tom irónico, “melhor sorte aos restantes dados analisados”.

O grupo de comunicação ressalva também que nunca geriu a página de Facebook de Bruno de Carvalho, algo que é referido pela auditoria conhecida esta quarta-feira — que indica que a Young cobrou dois milhões de euros por essa prestação de serviços. “A página de Facebook de Bruno de Carvalho não era gerida pela YoungNetwork nem por nenhuma empresa como qualquer pessoa capacitada em Portugal sabe, logo, a agência não recebeu qualquer valor por um trabalho que não existiu”, garante o comunicado, que depois apresenta alguns exemplos das iniciativas de comunicação e marketing do Sporting que foram da responsabilidade da Young e detalha o número de funcionários da agência que trabalhava em cada departamento do clube e as funções que exerciam.

Enquanto justificação para o facto de os valores faturados pela empresa nos primeiros anos da presidência de Bruno de Carvalho serem bastante inferiores aos dos anos seguintes, a Young questiona se a Bakertilly “teve acesso aos contratos”. “O contrato do Jornal Sporting só começa a meio de 2014 e é o contrato que tem valor superior, devido ao número de pessoas afetas. Evidência de aprovação: todos os contratos estão assinados e/ou os serviços estão aprovados pela Direção anterior, pela Comissão de Gestão ou pelos departamentos internos. Todos os valores pagos têm suporte legal e factual. A própria negociação foi alvo de várias reuniões com a Sporting, Comunicação e Plataformas, bem como o acompanhamento do caderno de encargos do concurso. Dêem oportunidade à Bakertilly para refazer o relatório e limpar o seu nome, mas desta vez com acesso aos documentos”, refere a YoungNetwork.

O grupo de comunicação que era responsável pelo Jornal Sporting, pelo site, pelas redes sociais e pelo marketing do clube deixa ainda outras dúvidas quanto à Bakertilly, já que questiona qual é a atividade que a auditora mantém nas Ilhas Caimão e se recebeu “os pagamentos em géneros”.