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Este é o "Tratar da Saúde" da Rádio Observador com a Dra. Maria Ana Sobral, médica de saúde familiar da CUF. Olá, doutora, bom dia.
Bom dia.
O jejum intermitente tornou-se muito popular. Há quem diga que emagrece rapidamente, melhora a energia e até que é uma forma de reiniciar o organismo. Mas no meio de tantas promessas, onde é que termina a estratégia alimentar e começa o perigo das dietas da moda, doutora?
Especificamente sobre o jejum intermitente, não é uma dieta propriamente dita, é uma forma de organizar os horários das alimentações, alternando por períodos em que se come, por outros períodos em que não se ingerem calorias. Existem vários modelos, como concentrar as refeições num período de oito a dez horas por dia ou reduzir significativamente a ingestão nalguns dias da semana.
As dietas da moda podem ser um problema, não é?
Sim, porque apresentam regras rígidas ou podem apresentar promessas muito rápidas sem olhar para a pessoa. Uma estratégia que resulta com alguém pode ser inadequada, frustrante ou perigosa para outra. Quando uma dieta exige sofrimento, elimina grupos de alimentos sem razão clínica ou promete curas ou resultados extraordinários, é importante parar e procurar aconselhamento. E este aconselhamento, sem querer demonizar as redes sociais, deve ser feito por profissionais credenciados e não por quem promete aqueles resultados rápidos e milagrosos.
Mas especificamente em relação ao jejum intermitente, funciona realmente para perder peso?
Efetivamente pode, porque facilita a redução de ingestão energética. No entanto, é necessário manter esse padrão ao longo do tempo. Não é uma solução mágica. E para muitas pessoas o fator decisivo é mesmo encontrar uma forma de comer que seja nutricionalmente adequada, mas também sustentável e compatível com o seu estilo de vida.
Então lá está. Quanto aos benefícios para a saúde?
Alguns estudos mostram melhorias modestas no peso e em alguns marcadores metabólicos, mas ainda falta muita investigação. Por isso, não podemos afirmar que o jejum intermitente previne ou trata, por exemplo, doenças cardiovasculares. Mais uma vez, o que sabemos com segurança é que a qualidade da alimentação, atividade física, sono, um estilo de vida saudável é fundamental.
Então, mas isso quer dizer que toda a gente pode experimentar o jejum intermitente?
Não. O jejum intermitente não é mesmo adequado para algumas pessoas. Na gravidez, que estejam a amamentar, em crianças, em adolescentes e também nas pessoas com história de perturbações do comportamento alimentar. E exige também cuidados especiais em pessoas com diabetes, sobretudo se usam insulina ou outros medicamentos.
Então como é que podemos perceber que esta estratégia, esta coisa do jejum intermitente, não está a resultar?
Fome intensa que leva a períodos de compulsão, irritabilidade, tonturas, alterações do sono, dificuldade de concentração. Pensarmos sempre o objetivo de uma estratégia alimentar tem de ser melhorar a saúde e o bem-estar, não viver em permanente luta com a comida ou com o relógio.
E de que forma é que o médico de família pode ajudar?
O médico de família pode avaliar se o jejum é seguro naquela pessoa, percebendo um bocadinho da história clínica. O acompanhamento ajuda a definir objetivos realistas e evitar que o jejum seja usado como substituído de cuidados ou de uma alimentação equilibrada. Naturalmente que este acompanhamento idealmente deve ser multidisciplinar. Aqui o nutricionista tem um papel fundamental, bem como um plano de exercício e psicoterapia, se assim fizer sentido para a pessoa.
Então, para terminar, qual é aquela mensagem prática, aquela dica?
O jejum intermitente pode ser uma opção para algumas pessoas, mas não é obrigatório nem adequado para todos. Antes de experimentar, pergunte se o objetivo é realista, se o consegue manter, se consegue manter uma alimentação variada. A melhor estratégia é aquela que é personalizada, segura e possível de manter.
Portanto, aqui o fundamental é não procurar resultados mágicos. Dra. Mariana Sobral, obrigada. Até amanhã.
Obrigada. Até amanhã.