Marco Silva já tinha sido notícia este domingo por ter levado o Everton até uma vitória histórica perante o Manchester United. Ainda assim, antes do final do dia, o treinador português voltou a aparecer sob os holofotes e deu uma entrevista à RTP onde falou dos objetivos a curto e longo prazo, de um eventual regresso a Portugal e da saída do Sporting depois de ajudar o clube de Alvalade a conquistar o primeiro título no espaço de sete anos.

Essa saída, numa altura em que ainda tinha contrato com o Sporting e que ficou marcada por um diferendo com a Direção então liderada por Bruno de Carvalho, foi esmiuçada recentemente, precisamente no livro do antigo presidente leonino. Em “Sem Filtro”, livro publicado a meio de fevereiro, Bruno de Carvalho dedicou longos parágrafos à passagem de Marco Silva pelo Sporting e revelou ainda que esteve perto de despedir o técnico ainda na pré-temporada mas não o fez para que “os adeptos não pensem que andamos a brincar ao futebol demitindo um treinador que acabámos de contratar para quatro anos”.

“Sporting? Naturalmente que a palavra triste pode ser uma palavra que encaixa muito bem. Tudo aconteceu de uma forma inesperada e depois de ganharmos numa época em que tínhamos, além da Liga dos Campeões, dois títulos para poder conquistar em Portugal. Não conquistámos um, conquistámos o outro [Taça de Portugal]. Quando algo fica interrompido e tu pensas que pode continuar, naturalmente. Quando tens contrato é sempre isso que tu pensas, mas foi uma decisão da Direção, naquele momento. E eu tive de seguir a minha carreira”, disse o treinador de 41 anos, que entre Hull City, Watford e Everton está há dois anos na Premier League.

Sobre o Everton, que com a vitória perante o Manchester United ultrapassou o Leicester e o Wolves de Nuno Espírito Santo e subiu ao sétimo lugar da classificação, Marco Silva garante que o clube “tem uma grande dimensão”. “Tenho a noção de que viemos para um grande clube e um grande projeto. É óbvio que os últimos anos têm sido muito difíceis, mas estamos a falar de adeptos que se habituaram a ganhar, estamos a falar do quarto clube com mais títulos de campeão em Inglaterra”, acrescentou o treinador, que descarta a ideia de que é um técnico de projetos curtos — vai no sexto clube em oito anos — e aponta os objetivos do Everton a longo prazo.

“É óbvio que não será algo que vão conseguir tão rápido quanto isso mas a ambição passa por criar as condições para que o Everton, passo a passo, possa lutar por aquele top 6”, explicou Marco Silva, referindo-se aos big six ingleses, Manchester City, Liverpool, Manchester United, Arsenal, Tottenham e Chelsea. Na entrevista à RTP, o treinador garante ainda que se sente “orgulhoso” pelas notícias de um eventual interesse do FC Porto e do Benfica, na altura em que saiu de Alvalade, mas ressalva que o regresso a Portugal não está nos planos imediatos.

“Regresso a Portugal? Neste momento, é algo que não está na minha cabeça porque eu estou muito satisfeito por estar no Everton, tenho muita coisa a ocupar aquilo que é o meu dia-a-dia. Não penso. Agora, não consigo garantir se em três, quatro, cinco, dois anos eu poderei estar a pensar de forma diferente. Mas, neste momento, só penso no Everton”, afirmou o treinador, que entre Estoril, Sporting, Olympiacos, Hull City, Watford e Everton leva no palmarés uma Segunda Liga, uma Taça de Portugal e um Campeonato grego.