Montepio

Pais do Amaral garante que não é um dos maiores devedores “tóxicos” do Montepio

9.049

Um pequeno grupo de empresários concentra os principais "calotes" ao Montepio. Pais do Amaral garante que não está nos maiores devedores "tóxicos", embora reconheça que há 3 milhões de euros em atraso

Carlos Manuel Martins

Um pequeno grupo de 50 empresários, alguns bem conhecidos, concentra os principais “calotes” que estão no balanço do Banco Montepio. Estes 50 clientes são responsáveis por 700 milhões de euros em dívidas em risco (ou, mesmo, incobráveis) que estão no balanço do banco agora liderado por Dulce Mota. A notícia é avançada esta segunda-feira pelo jornal Público, que inclui Miguel Pais do Amaral na lista, mas o empresário, ouvido pelo Observador, garante que “a notícia não corresponde à verdade”.

O empresário, ex-grupo Leya, que chegou a controlar a TVI, reconhece que há duas empresas que controla que têm valores em dívida, mas afirma que os valores apontados na notícia estão errados: a AHS Investimentos SGPS, que avançou para uma reestruturação em 2017, “deve 5 milhões de euros, mas estão em dia”; e a Grey Part tem 3 milhões de euros em atraso, “mas garantidos por um valor de ativos muito superior”, garante Pais do Amaral. Esta última dívida “estará resolvida em junho”, assegura ainda.

A notícia do Público referia um total de 23 milhões de euros de dívidas em atraso, o que colocaria o empresário no topo da lista do malparado do Montepio. O empresário admite que possa estar em causa dívidas de empresas nas quais já não tem participação acionista.

José Guilherme entre os maiores devedores “tóxicos”

O jornal Público escreve que apenas 10 clientes estão na origem de 40% dos créditos mais ruinosos para o banco, que poderá estar prestes a reconhecer (mais) perdas no valor de 400 milhões de euros.

Um dos nomes menos surpreendentes é o do construtor José Guilherme, o mesmo que deu a “liberalidade” de 14 milhões a Ricardo Salgado. Nas vésperas do colapso do BES, o construtor obteve 28 milhões de euros do banco então liderado por António Tomás Correia — um caso que esteve na origem de mais uma contraordenação recente por parte da CMVM ao Montepio.

Também no topo da lista dos maiores devedores estão a imobiliária NH (68 milhões), o empresário Rui Alegre, ex-quadro do Grupo Amorim (40 milhões), a Somague/Sacyr (39 milhões), o Invesfundo (onde José Guilherme tem posição, com 38 milhões) e a Fibeira, do empresário e conhecido colecionador de arte Armando Martins (25 milhões).

Logo abaixo da fasquia dos 20 milhões, estão devedores como o Grupo Lena (15 milhões), o construtor Aprígio Santos (12 milhões) e a Britalar, empresa do presidente do Sporting de Braga, António Salvador (11 milhões). Estes são créditos ruinosos que o Montepio terá de reconhecer e, em grande medida, tirar do balanço para conseguir cumprir os máximos que estão a ser definidos pelos reguladores, a nível europeu, relativos à proporção de créditos ruinosos na carteira de cada banco. O Montepio e o Novo Banco são os bancos portugueses que têm mais trabalho pela frente neste contexto.

Atualizado às 18:44 com declarações de Pais do Amaral.

Todos queremos saber mais. E escolher bem.

A vida é feita de escolhas. E as escolhas devem ser informadas.

Há uns meses o Observador fez uma escolha: uma parte dos artigos que publicamos deixariam de ser de acesso totalmente livre. Esses artigos Premium, por regra aqueles onde fazemos um maior investimento editorial e que mais diferenciam o nosso projecto, constituem a base do nosso programa de assinaturas.

Este programa Premium não tolheu o nosso crescimento – arrancámos mesmo 2019 com os melhores resultados de sempre.

Este programa tornou-nos mesmo mais exigentes com o jornalismo que fazemos – um jornalismo que informa e explica, um jornalismo que investiga e incomoda, um jornalismo independente e sem medo. E diferente.

Este programa está a permitir que tenhamos uma nova fonte de receitas e não dependamos apenas da publicidade – porque não há futuro para a imprensa livre se isso não acontecer.

O Observador existe para servir os seus leitores e permitir que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia. Por isso o Observador também é dos seus leitores e necessita deles, tem de contar com eles. Como subscritores do programa de assinaturas Observador Premium.

Se gosta do Observador, esteja com o Observador. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
Montepio

Um Franciscano no Montepio

João Simeão
350

O franciscano vigário tem muito “saber de experiência feito” e é mestre do disfarce e da desculpabilização das suas incoerências: “não fica nada para mim, vai tudo para os meus frades, para a Ordem"…

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)