Os minutos iniciais do encontro das meias-finais da EHF Cup com os alemães do Füchse Berlin, na passada sexta-feira, acabaram por privar o FC Porto de fazer um pouco mais de história em termos internacionais (24-20), com a chegada ao jogo decisivo da competição frente ao THW Kiel, mas logo no dia seguinte a equipa reergueu-se e alcançou o terceiro lugar na Final Four, vencendo de novo os dinamarqueses do TTH Holstebro tal como já tinha ocorrido na fase de grupos (28-26). Foi essa capacidade de resposta à adversidade que permitiu aos dragões cumprirem uma das melhores épocas nos últimos anos, confirmada esta terça-feira com a conquista do anunciado título depois da goleada frente ao Madeira SAD por 29-20.

Num encontro praticamente sem história frente a um adversário ainda a recuperar da derrota na segunda mão da final da Taça Challenge frente aos romenos do CSM Bucareste (curiosamente treinados pelo selecionador nacional, Paulo Pereira), o FC Porto conseguiu uma vantagem de três golos bem cedo, chegou ao intervalo com cinco golos de avanço (13-8) e manteve o domínio total ao longo da partida, o que permitiu a Magnus Andersson rodar todos os seus jogadores ao longo do jogo. Landim, com sete golos, foi o melhor marcador do encontro, à frente dos portistas Daymaro Salina (cinco) e Fábio Magalhães (quatro).

Melhor ataque e defesa menos batida do Campeonato, a formação azul e branca carimbou o triunfo na principal prova nacional, depois da vitória do ABC em 2016 e do bicampeonato do Sporting em 2017 e 2018, quando faltam ainda disputar duas jornadas da fase final, com clássicos frente aos leões em Alvalade (dia 25) e no Dragão com o Benfica (dia 29). Ao todo, o conjunto de Magnus Andersson somou 32 vitórias em 34 encontros realizados, perdendo apenas com o rival verde e branco nos dois jogos da fase regular, em casa e fora. Em paralelo, o FC Porto ganhou ainda ao Sporting nos quartos da Taça de Portugal (28-23), carimbando a passagem à Final Four com Póvoa (adversário na meia-final), Águas Santas e Madeira SAD.

Desta forma, os dragões reforçaram a sua posição de equipa com mais Campeonatos Nacionais ganhos (21), à frente de Sporting (19) e ABC (13), na época de estreia do treinador sueco de 53 anos que chegou dos alemães do Goppingen tendo como adjunto Carlos Martingo, técnico que fez no ano passado um grande trabalho no Avanca antes de assumir o comando dos azuis e brancos até ao final da temporada depois da saída de Lars Walther, aposta sem resultados em 2017/18.

De recordar que, antes e durante esta oitava e antepenúltima jornada da fase final, os deslizes dos adversários diretos dos azuis e brancos acabaram por acelerar a festa: o Benfica perdeu com o Madeira SAD por 25-21 no Funchal, abdicando assim de qualquer hipótese que tivesse ainda nos últimos jogos, ao passo que o campeão Sporting, confirmando o final de temporada a cair a pique após ter liderado o Campeonato e ter chegado aos oitavos da Champions, caiu perante o Águas Santas (29-28).

Na presenta época, tinham reforçado o plantel dos dragões seis jogadores, a saber: Thomas Bauer, guarda-redes austríaco ex-OIF Arendal (Noruega); os laterais Fábio Magalhães (internacional português, ex-Chastre de França), Yoan Balázquez (cubano, ex-Teucro de Espanha) e Djobirl M’Bengue (senegalês com nacionalidade alemã, ex-Estugarda); o ponta Leonel Fernandes, jovem português que no ano passado esteve emprestado ao Maia ISMAI); e o pivô Alexis Borges, luso-cubano que voltou ao Dragão por empréstimo de uma época do Barcelona. A eles juntaram-se ainda Alfredo Quintana, Hugo Laurentino (guarda-redes), António Areia, Diogo Branquinho, Miguel Alves (pontas), Daymaro Salina, Víctor Iturriza (pivôs), Miguel Martins, Rui Silva (centrais), Leandro Semedo, Ángel Hernández e André Gomes (laterais).