Dino D’Santiago

17h, palco Super Bock

O funaná com tons eletrónicos virou pop. A nova Lisboa olha nos olhos as outras capitais e tem pretensões a epicentro da lusofonia, querendo dar cartas também além do fado, já reconhecido e aclamado internacionalmente. Madonna está atenta, a revista norte-americana Rolling Stone — publicação musical de referência em todo o mundo — também e isso são ótimas notícias. Nascido na Quarteira, com raízes cabo-verdianas, o músico e cantor Dino D’Santiago aproveitou a onda que os Buraka Som Sistema e Branko começaram a surfar e fez um alley-oop com Mundu Nôbu, álbum lançado no último ano. Esta quinta-feira, vai dar o primeiro concerto do festival a partir das 17h.

Jarvis Cocker introduces Jarv is…

21h30, palco Seat

É o mais fácil de justificar: é Jarvis Cocker, o grande frontman e alma dos Pulp e — sendo-se mais ou menos fã — isso é mais do que suficiente para exigir atenção. No palco vai estar com a nova banda que formou em seu redor, a que chamou Jarv Is. Se o concerto for semelhante àquele que deu no congénere catalão do NOS Primavera Sound, não há-de ser longo, não há-de incluir muitos êxitos de carreira (ouvir-se-ão três canções suas e uma dos Pulp, “His ‘n’ Hers”)  e contará com vários temas novos — um dos quais “Must I Evolve?”.

Allen Halloween / Danny Brown

22h15, palco Pull and Bear / 22h20, palco NOS

A maior parte das pessoas deverá rumar ao palco principal pouco depois das 22h, para dar as boas-vindas ao norte-americano Danny Brown (começa às 22h20). É uma decisão respeitável: Daniel Sewell (o nome de batismo do rapper) está longe de não ter créditos e respeito no hip-hop norte-americano e há perto de três anos lançou Atrocity Exhibition, que cativou críticos e ouvintes pelo teor vanguardista e inovador. E no entanto, no palco Pull and Bear estará Allen Pires Sanhá com os seus demónios, com as suas canções de cronista social dos subúrbios, que observa e descreve as ruas (as drogas, a falta de trabalho, o racismo generalizado) mas também fala de coisas da alma: vícios, tentações, dores, religião e fé, salvação e condenação. “De Odivelas até Paris”, do Barruncho para o Porto, dos subúrbios para o festival que outrora fazia as delícias dos yuppies. E esta, Allen? O melhor talvez seja (excecionalmente) dividir atenções.

Stereolab

23h20, palco Seat

Foi uma das grandes novidades reveladas pela organização do festival Primavera Sound catalão, quando desvendou o cartaz da sua edição de este ano: a banda europeia Stereolab, formada em 1990 pelo inglês Tim Gane e pela francesa Lætitia Sadier, regressaria aos palcos este verão depois de dez anos sem concertos e tinha atuação marcada em Barcelona. O grupo de culto da década de 1990 e do início dos anos 2000 (embora o último álbum remonte a 2010) estará também no Porto para provar que há um passado a que é gostoso voltar, penda ele mais para o rock experimental (como no disco Transient Random-Noise Bursts With Announcements, de 1993) ou para a música descontraída e levemente dançante de Dots and Loops, de 1997, e do bom pop-jazz cósmico de Sound-Dust, de 2001.

Solange

0h30, palco NOS

Está, com Rosalía e Erykah Badu, entre as estrelas mais refrescantes do festival NOS Primavera Sound. São os três ases de novidade, que não param em Portugal há muito (caso de Erykah Badu), que só cá pararam discretamente antes de se tornarem estrelas pop (caso de Rosalía) ou que nunca atuaram em território nacional, como é o caso de Solange. Irmã de Beyoncé, mais uma cantora e artista talentosa do clã Knowles, move-se por águas tão vanguardistas da pop quanto os limites da pop permitem. Em When I Get Home, o mais recente álbum, as canções são curtas, atiradas de rajada, num caldeirão onde a soul, o jazz, o hip-hop lo-fi e o funk norte-americano misturam-se e desaguam num beo caldeirão. Como tudo isto soará ao vivo é a grande dúvida, mas o alinhamento do concerto no Primavera Sound Barcelona, no passado sábado, deixa água na boca: estão lá algumas das melhores canções do novo disco (“Down With the Clique” e a sua bateria inicial que sim senhor, a bateria e a voz donas disto tudo de “Binz”, a canção “Almeda”) e alguns dos seus melhores temas entre os mais antigos, como “Cranes in the Sky”, “Don’t Touch My Hair” e “F.U.B.U.”. Tem tudo para ser espetáculo.