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Literatura

Morreu a escritora Toni Morrison, Nobel da Literatura em 1993

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A norte-americana escreveu o romance "Amada", que em 1988 lhe valeu o prémio Pulitzer para melhor ficção. Foi a primeira mulher negra a receber um prémio Nobel. Morreu aos 88 anos.

Chloe Anthony Wofford (nome de batismo) centrou grande parte dos seus romances na vida da comunidade negra nos Estados Unidos

Getty Images

Morreu a escritora Toni Morrison, vencedora do Prémio Nobel da Literatura em 1993 e a primeira mulher negra a receber este galardão. De acordo com a Vulture, que avançou a notícia e cita uma fonte da sua editora, a escritora de 88 anos morreu na noite desta segunda-feira depois de complicações provocadas por uma pneumonia. A norte-americana escreveu vários romances, entre eles “Amada” (em inglês, “Beloved”), um romance inspirado em acontecimentos reais no Kentucky, em 1856, que em 1988 lhe valeu o prémio Pulitzer para melhor ficção.

Nascida em 1931 no estado norte-americano do Ohio e filha de um metalúrgico e uma dona de casa, Chloe Anthony Wofford (nome de batismo) centrou grande parte dos seus romances na vida da comunidade negra nos Estados Unidos, tendo recebido a Medalha Presidencial da Liberdade pelas mãos do antigo Presidente norte-americano Barack Obama, recebendo também a Legião de Honra Francesa. A autora escreveu 11 romances e alguns livros para crianças. Entre outras obras memoráveis da escritora estão “Jazz”, publicado em 1992, “Paraíso”, publicado em 1997, “Song of Solomon” e “A Nossa Casa é Onde Está o Coração”, de 2015.

De acordo com um comunicado da família de Toni, a escritora “morreu de forma pacífica na noite passada, rodeada da sua família e amigos”. A escritora foi casada com o arquiteto Howard Morrison e teve dois filhos: Harold e Slade. Após a separação, Toni mudou-se para Nova Iorque e lá trabalhou como editora. Foi também professora catedrática na Universidade de Princeton e deu aulas nas universidades de Howard, Yale e Southern Texas. Fazia também parte da Academia de Artes e Letras dos Estados Unidos.

No discurso que fez quando recebeu o Nobel da Literatura, Toni Morrison volta às raízes da comunidade negra e conta a história de uma mulher “filha de escravos, negra, americana e que vive sozinha numa pequena casa fora da cidade”. A história continua com a mulher, que é cega, a ser questionada por dois homens que entraram na sua casa com a intenção de gozar da sua condição: “Velha mulher, tenho na mão um pássaro. Diz-me se está vivo ou morto”. A mulher não sabe, mas, conta Toni, há uma certeza: “Se estiver morto, encontraram-no assim ou mataram-no. Se estiver vivo, ainda o podem matar. Independentemente do caso, é da vossa responsabilidade”.

O pássaro, a vida e a morte tinham um significado que ia para além do que estava naquelas palavras. “A especulação sobre o que aquele pássaro na mão (mais do que o seu corpo frágil) pode significar sempre foi uma atração para mim”, confessou Toni, acrescentando que escolheu ler o pássaro como a linguagem e a mulher como a escritora. “Ela está preocupada sobre como a linguagem em que ela sonha, dada ao nascer, é tratada, colocada ao serviço e até mesmo retirada dela para certos fins nefastos. Sendo escritora, pensa na linguagem parcialmente como um sistema, parcialmente como um ato com consequências”.

Para ela, uma língua morta não é apenas aquela que não é mais falada ou escrita mas, acima de tudo, é a linguagem teimosa que se contenta com a admiração da sua própria paralisia. Como uma linguagem estática, censurada e censuradora. Impiedosa na sua atividade policial, não tem nenhum desejo ou outro propósito além de manter o campo aberto do seu próprio narcisismo narcótico, a sua exclusividade e domínio”, continua no discurso.

A meio do discurso, Toni Morrison conclui com uma frase marcante: “Nós morremos. Esse pode ser o significado da vida. Mas nós fazemos a linguagem. Essa pode ser a medida das nossas vidas”.

(Artigo atualizado às 16h04)

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