Num futuro muito próximo, os seres humanos poderão receber transplantes de coração de porcos, considera o cirurgião britânico Terence English, de 87 anos, que em 1979 realizou o primeiro transplante cardíaco bem sucedido do Reino Unido.

Em declarações ao jornal britânico The Telegraph, Terence English disse acreditar que os chamados “xenotransplantes” — ou seja, transplantes de órgãos entre espécies diferentes — poderão contribuir para, nos próximos anos, acabar com o problema das longas listas de espera por doadores compatíveis.

Na origem desta nova esperança está o trabalho desenvolvido na Universidade do Alabama pelo cientista norte-americano Christopher McCregor, que trabalhou precisamente na equipa de Terence English durante o transplante cardíaco de 1979.

McCregor e a sua equipa estão confiantes na possibilidade de realizar, nos próximos meses, um transplante de rim entre um porco e um humano — graças ao desenvolvimento de dois novos genes que vão permitir que os órgãos de porco funcionem no corpo humano.

A realização de um transplante de rim para a primeira experiência é considerada um primeiro passo prudente — uma vez que é possível, em caso de a cirurgia não resultar ou o de órgão ser rejeitado, que o paciente volte a realizar diálise.

Em declarações ao The Telegraph, Terence English disse que “se o resultado da xenotransplantação for satisfatório com rins de porco, é provável que os corações possam ser usados com efeitos positivos em humanos dentro de poucos anos”.

O cirurgião britânico admite que haja ativistas pelos direitos dos animais a dizer “que é completamente errado”, mas questiona: “Se pudermos salvar uma vida, não é um bocadinho melhor?”