Quem nunca levou um encontrão na rua porque a pessoa ao seu lado vai a olhar para o telemóvel em vez de ir a olhar para onde anda? Foi exatamente para evitar essas situações que na cidade de Manchester, Reino Unido, foram criadas faixas especiais para pedestres que andam devagar por estarem a usar o telefone.

As pistas foram criadas pela AO Mobile, uma empresa de telecomunicações, e apesar de serem as primeiras conhecidas na Europa, desde 2014 que são conhecidas soluções idênticas na China. Em território europeu, na cidade alemã de Augsburg, em 2016, foram embutidos semáforos nos passeios para evitar que pedestres distraídos com os seus telemóveis atravessem as ruas sem olhar.

A primeira faixa para quem fala ao telemóvel que surgiu na China foi em Chongqing, município na confluência entre os rios Yangtzé e Jialing, na região sudoeste do país

“Temos de ser realistas e responsáveis ​​quando se trata de olhar para a forma como a nossa sociedade está a mudar”, disse Richard Baxendale, da AO, citado pelo jornal britânico The Sun, e que afirma que 40% dos britânicos consideram que as autoridades deviam intervir neste tipo de situação que envolve transeuntes distraídos com os smartphones. “A nossa faixa de teste é um primeiro passo importante e que pode muito bem ser adotado por outras cidades no futuro”, concluiu.

Em 2017, Honolulu, capital do Havaí, tornou-se a primeira cidade do mundo a proibir os peões de enviar mensagens de telemóvel enquanto caminham, através de um diploma que ficou conhecido como “lei dos pedestres distraídos”.

Na China, a primeira faixa lenta para pedestres surgiu em 2012 em Chongqing, uma iniciativa de uma empresa privada, a Meixin, que gere um parque de diversões naquele local. Em 2018, uma iniciativa idêntica teve lugar em Xiam, capital da província de Shaanxi, na China central. Tal como nos restantes casos, também aqui a iniciativa foi de uma empresa privada, neste caso o proprietário de um grande centro comercial.

Meses antes de as faixas lentas terem surgido na China, a National Geographic conduziu aquilo que chamou de experiência social em Washington, Estados Unidos, a propósito de um dos seus programas televisivos e dividiu ao meio um passeio. De um lado, peões sem telefones. Do outro, os que caminham e usam o telemóvel ao mesmo tempo.