A fadista Teresa Tarouca morreu, esta segunda-feira de madrugada, no Hospital S. Francisco Xavier, em Lisboa, aos 77 anos, vítima de pneumonia dupla, disse à Agência Lusa fonte próxima da família.

Nascida em janeiro de 1942, Teresa de Jesus Pinto Coelho Telles da Silva adotou o nome artístico de Teresa Tarouca, indo buscar um velho apelido de família. “Testamento”, na década de 1960, “Mouraria”, “Deixa que te cante um fado”, “Saudade, silêncio e sombra”, “Meu bergantim”, “O resineiro”, “Fado, dor e sofrimento”, “Passeio à Mouraria”, “Ora bate, bate” contam-se entre os sucessos de Teresa Tarouca.

Oriunda de uma família ligada à música — é prima de Frei Hermano da Câmara e prima afastada de Maria Teresa de Noronha –, Tarouca começou a cantar aos 11 anos em espetáculos de beneficência, o que levou especialistas em música a considerarem-na a “menina-prodígio” da década de 1950. No fado, estreou-se aos 13 anos, no Salão dos Bombeiros de Oeiras, tendo em 1958 recebido o Óscar da Imprensa, segundo o site do Museu do Fado. Em 1962, assinou o primeiro contrato de gravação, com a então editora RCA, e, em 1964, recebeu o prémio da Imprensa, ou Prémio Bordalo, na categoria Fado.

Cantou poemas e músicas de fados clássicos de autores como António de Bragança, João de Noronha, Alfredo Marceneiro, Pedro Homem de Mello, Francisco Viana, Maria Manuel Cid, Casimiro Ramos, João de Noronha, Nuno de Lorena João Ferreira-Rosa, Alda Lara, entre outros. Teresa Tarouca foi a primeira fadista a cantar Fernando Pessoa.

Em 1973 foi convidada para o Festival RTP da Canção, em cuja primeira parte interpretou “Cai chuva do céu cinzento”, fado que criou com letra do autor de “Mensagem”.

Durante a sua carreira artística, a fadista apresentou-se em palcos de vários países, nomeadamente, Dinamarca, Bélgica, Espanha, Estados Unidos da América, Brasil e em Macau. Em 1989, foi editado o disco “Tereza Tarouca canta Pedro Homem de Mello”, trabalho considerado emblemático na carreira da fadista. Em maio de 1994 comemorou os 33 anos de carreira no Teatro Tivoli, em Lisboa, tendo continuado a cantar com regularidade.

Em 1996, atuou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e em 2003, no restaurante e casa de fados “Velho Páteo de Sant’Ana”, em Lisboa, onde foi fadista residente. Em 1997, participou como “Atração de Fado” na revista “Preço Único”, no Teatro ABC, ao Parque Mayer, e, um ano depois, participou no musical “Fado… Esse malandro vadio”, de João Núncio com encenação de Francisco Horta.

Em junho de 2013, o então Presidente da República Cavaco Silva atribuiu-lhe o grau de comendadora da Ordem do Infante D. Henrique.

A última atuação de Teresa Tarouca em público data de outubro de 2013, durante a VIII Gala Amália, no Teatro S. Luiz, em Lisboa, recebeu o Prémio Amália de Carreira.

O corpo da fadista estará em câmara ardente a partir das 19h desta segunda-feira nas Capelas Exequiais da Basílica da Estrela, em Lisboa. As exéquias fúnebres terão início pelas 10h30 desta terça-feira com celebração de missa de corpo presente, seguindo o funeral para o Crematório do Cemitério dos Olivais.

Artigo atualizado com a informação relativa ao funeral da fadista