José Cid estava feliz, depois de ter recebido um Grammy de Excelência Musical entregue pela Academia Latina de Gravações em Las Vegas. “Foi muito interessante”, contou à Rádio Observador, a muitos quilómetros de distância, por telefone. “Recusei-me a falar em castelhano. Todos [os que venceram um Grammy latino] falaram em castelhano, inclusivamente a Joan Baez. Recusei-me e falei em português, acabou. É a minha língua, falo na língua de Camões, de Pessoa e minha. Peço desculpa de não falar outra língua, respeito imenso e não sei quê, mas…”

Fiz um discurso muito conciso sobre aquilo que acabava de receber. Estava ali um bocadinho a representar Portugal, que me tem dado tudo o que tenho na vida. É um país muito pequenino, com as fronteiras que tem não se pode expandir muito nesta área. Depois fiz o a capella, cantei a minha música [“Nasci p’ra Música”]. Houve uma grande salva de palmas, agradeci em inglês, agradeci em castelhano, mas acima de tudo agradeci em português”, apontou.

Quanto ao prémio, Cid ficou esteticamente agradado. “É bonito, é uma estatueta que me parece bonita”, referiu, lembrando que tem “prémios muito importantes” na sua vida, “uns mais simples mas que são importantes à mesma”. Este, “fica lá”, por cima do piano onde estão os outros, e “é uma coisa que passou à Wikipedia, está lá” para a posteridade.

Na sua “mesa”, que “estava muito animada” e que se fez ouvir durante a entrega do prémio, José Cid tinha alguns colaboradores e amigos: “Estava o Tozé Brito e a mulher, o meu baixista e a mulher, os meus dois videoclippers, estava a Paula Homem — da Sony portuguesa —, estivemos ali numa grande conversa e foi muito engraçado”.

Em entrevista à Rádio Observador José Cid descreve-se como o "roqueiro que recebeu o prémio"

O compositor e cantor português revelou ainda que tem um álbum de música popular que vai editar até ao final do ano e um álbum de rock sinfónico previsto para 2020. “Sai tudo em pens. Os meus álbuns [agora] vêm em pens, para marcar a diferença face aos outros álbuns. As pessoas já não sabem se lançam em vinil ou em CD. Os meus saem numa pen, o que é muito mais moderno e atual — e marca a diferença”.

Com Beatriz Costa