A mochila de Celia Cavia é a única pista que há até agora. A jovem de 14 anos foi vista pela última vez a 12 de dezembro a sair do Instituto José María de Pereda, onde estuda, na cidade de Santander, norte da Espanha. Saiu da escola antes de as aulas acabarem — alegando que estava com uma má-disposição — e desapareceu sem deixar rasto, escreve o El Mundo. Seriam cerca de 14h15. Celia Cavia é alta, loira, tem olhos azuis e está desaparecida há quatro dias. Usava um casaco cinzento com capuz.

Depois de participar o desaparecimento, a família procurou-a durante toda a noite e madrugada. Na manhã dessa sexta-feira, encontraram a sua mochila a cinco quilómetros do local onde fora vista pela última vez: no Parque de Mataleñas — uma extensa zona de árvores, com jardins, circuitos desportivos e um grande lago, que dá acesso às praias de Mataleñas e Los Molinucos.

Esta descoberta levou a polícia a fechar de imediato o Parque de Mataleñas ao público. Ali, foi montado um dispositivo de busca: nesta primeira fase, colaboravam 35 pessoas entre agentes do Corpo Nacional de Polícia, polícia local, Proteção Civil e Bombeiros de Santander. Nessa sexta-feira, o desaparecimento de Celia Cavia foi partilhado nas redes sociais:

À medida que os dias avançaram, a intensidade das buscas foi aumentando. Mas o suficiente? É pelo menos o que questiona o jornal El Español, num artigo onde compara os meios mobilizados para o desaparecimento de Celia Cavia com os mobilizados para Gabriel Cruz, o menino de oito anos que desapareceu no final de fevereiro do ano passado, no sul de Espanha — e que, veio depois a saber-se, foi assassinado pela madrasta, que confessou o crime e já está a cumprir pena.

No entanto, os dois desaparecimentos só têm em comum o facto de as vítimas serem menores de idade porque, escreve o jornal, os dispositivos de busca implementados num e noutro têm “uma grande diferença”.

Dez dias à procura de Gabriel Cruz, o menino de oito anos desaparecido em Espanha

Este domingo, a polícia aumentou o dispositivo para encontrar a menina de 14 anos e passou a pente fino várias praias da cidade costeira. Os helicópteros da Proteção Civil e uma equipa de drones sobrevoaram a zona. No Parque de Mataleñas, cães pisteiros tentam encontram qualquer vestígio. E o Salvamento Marítimo espanhol também se juntou às buscas, por mar — embora o alerta vermelho devido ao mau tempo esteja a dificultar os trabalhos.

Os meios que até podem parecer muitos, são poucos quando comparados aos investidos para encontrar o pequeno Gabriel. Recorda o El Español que, ao quarto dia de busca pelo menino de oito anos, participavam nas buscas a Guardia Civil, a polícia local, a Proteção Civil, cães pisteiros, o Grupo Especial de Atividades Subaquáticas e um esquadrão de cavalaria da Guardia Civil. Além destas equipas, havia um helicóptero da Guardia Civil e vários drones. A estes elementos, cerca de 500 pessoas juntaram-se voluntariamente às buscas. Eram mais de 1000 pessoas, enquanto que o número total de pessoas que estão à procura de Celia Cavia não chega à centena, segundo o El Español.

Embora as autoridades acreditassem ao início na tese de um desaparecimento voluntário, nenhuma hipótese está descartada. Dada a proximidade do local onde foi encontrada a sua mochila com a costa, uma das hipóteses é a de ter caído ao mar. A Polícia Nacional já chegou mesmo a dizer que não descarta “outras hipóteses” até que “seja localizada e se faça uma autópsia”. Com estas declarações ao El Español, a polícia acabaria por revelar qual é a sua tese: muito provavelmente, Celia Cavia está morta.