Título: Corpos Celestes
Autor: Jokha Alharthi
Editora: Relógio d’Água
Ano da Edição: janeiro de 2020
Páginas: 240
Preço: 17€

O romance foi publicado em janeiro em Portugal pela editora Relógio d’Água

Desde há muito tempo que o Médio Oriente tem sido, pelo menos para nós ocidentais, fonte tanto de fascínio como de repúdio. As lendas de tesouros escondidos, alcançáveis através de palavras secretas, de oásis paradisíacos perdidos no meio do deserto, ou das odaliscas que dançam sensualmente e servem o seu senhor, o sultão, habitam o mesmo espaço imagético que o extremista religioso, a guerra ou a intolerância. É por isso que, muitas vezes, se perde o que está no meio, um mundo habitado por pessoas reais, com ambições, medos e contextos que, ainda que à superfície sejam muito diferentes dos nossos, reportam ao que de mais natural existe no ser humano. É neste mundo que o leitor se encontra em Corpos Celestes. Talvez algumas palavras e nomes nos soem estranhos, algumas atitudes e elementos culturais pareçam muito bizarros, mas todas essas coisas são secundárias, pois são apenas revestimento para as relações humanas mais básicas, comuns a todos.

Este mundo aparentemente distante do nosso, torna-se mais próximo também devido à familiaridade da autora com a realidade por ela escrita. Jokha Alharti nasceu em Omã, país onde se desenrola a narrativa do seu livro, e é percetível a naturalidade com que todas as interações são descritas, a proximidade com os rituais, o conhecimento, por experiência própria, da estrutura de classes dessa comunidade. Nenhum aspeto da sociedade omanense é tratado com simplicidade, ainda que as situações narradas sejam as do dia a dia.

Este artigo é exclusivo para os nossos assinantes: assine agora e beneficie de leitura ilimitada e outras vantagens. Caso já seja assinante inicie aqui a sua sessão. Se pensa que esta mensagem está em erro, contacte o nosso apoio a cliente.